Goiânia, 29/11/2025
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Três milhões aguardam perícia do INSS e ficam sem benefício

26/11/25

O jornal O Popular informou, nesta quarta-feira (26/11), que quase três milhões de pessoas em todo o País aguardam atendimento agendado pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Os segurados tiveram seus benefícios suspensos e dependem de perícia para voltar a receber, mas muitos só conseguem agendamento para março ou abril de 2026, ampliando a espera e agravando dificuldades financeiras.

Entre os casos relatados pelo O Popular está o da autônoma Cely Batista Alves, que teve o auxílio-doença suspenso e só obteve data de perícia para março. Ela sofre com sequelas de uma fratura no joelho ocorrida em 2015, além de artrose, hérnia de disco, bico de papagaio e, mais recentemente, uma fratura na nuca e fibromialgia. Mesmo com a documentação médica, Cely relata que passou seis meses sem receber o benefício neste ano, voltou a receber valores reduzidos e novamente teve o auxílio suspenso em novembro.

Cely afirmou ao jornal que o maior problema é a falta de justificativa para a suspensão do benefício. Segundo ela, o corte repentino gerou um grave impacto financeiro em casa, já que a família agora depende apenas da aposentadoria do marido. “Está muito difícil esperar até março para fazer a perícia e voltar a receber”, disse à reportagem.

O O Popular também destacou que o presidente do INSS, Gilberto Waller Jr., determinou a suspensão temporária do Programa de Gerenciamento de Benefícios (PGB) por falta de recursos. Em ofício ao Ministério da Previdência, Waller pediu suplementação de R$ 89,1 milhões para garantir a continuidade das reavaliações e reduzir a fila de atendimentos.

Especialistas ouvidos pelo jornal, como o advogado previdenciário Marcus Vinicius Cardoso, atribuem a demora ao aumento natural das demandas no fim do ano, à mudança nos critérios do Atestmed — sistema que analisa laudos antes da perícia — e à falta de médicos peritos em várias agências do INSS. Ele explica que segurados do interior muitas vezes precisam viajar para outras cidades, o que aumenta as ausências nos agendamentos e o risco de perda do benefício. Além disso, o recesso de fim de ano comprime a oferta de perícias, prolongando ainda mais a espera de quem depende do benefício para sobreviver.


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