26/11/25
A bancada federal do PL, que inclui os goianos Wilder de Morais e Gustavo Gayer, passou esta segunda-feira (24) reunida a portas fechadas para discutir como reagir à prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, ocorrida no sábado. Apesar da gravidade do episódio, nenhuma manifestação popular significativa ocorreu em defesa do ex-presidente — um contraste evidente com mobilizações de anos anteriores e um sinal do enfraquecimento da capacidade de mobilização do bolsonarismo.
Segundo relatos, o encontro teria resultado em uma nova tentativa de pressão no Congresso para destravar a pauta da anistia, que voltou ao centro das discussões internas do partido. No entanto, assim como em agosto, quando parlamentares do PL chegaram a ocupar as mesas diretoras da Câmara e do Senado sem sucesso, a proposta não avança e encontra forte resistência entre líderes partidários, reforçando a percepção de isolamento político do grupo.
Hoje, a estratégia é menos ruidosa. Diante da baixa adesão popular e da falta de apoio dentro do Legislativo, os bolsonaristas avaliam que não há ambiente para convocações de grandes atos, acampamentos ou manifestações — métodos que já foram centrais para o movimento, mas que agora não surtem mais efeito.
Uma fonte do PL em Goiás admitiu à reportagem que o partido tem interpretado a ausência de reação das ruas como um recado claro: “Vamos trabalhar mais internamente, nas articulações”, declarou, reconhecendo que a mobilização externa perdeu força e que a legenda precisa apostar exclusivamente nos bastidores.
O conjunto dos fatores — falta de apoio nas ruas, pauta emperrada no Congresso e necessidade de recuar das táticas tradicionais — evidencia que o bolsonarismo está cada vez mais isolado, com dificuldade crescente de influenciar o debate político nacional.