26/11/25
O deputado federal Professor Alcides (PL) voltou ao centro de uma polêmica envolvendo temas sensíveis relacionados a crianças e adolescentes. Ele está entre os parlamentares que votaram a favor do Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 3/2025, que revoga a Resolução nº 258/2024 do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda). Na prática, a medida dificulta o acesso ao aborto legal para crianças vítimas de estupro.
Especialistas em direitos da infância ouvidos pela reportagem apontam que a revogação representa um retrocesso na proteção de meninas violentadas, uma vez que a resolução reforçava normas já previstas em lei e buscava garantir atendimento seguro e humanizado em casos em que o agressor é, inclusive, um familiar. Movimentos sociais contrários à mudança têm mobilizado o lema “Criança não é mãe” para defender a manutenção das garantias anteriores.
A votação reacende o histórico de controvérsias envolvendo o parlamentar. Professor Alcides é investigado pela Polícia Civil por suposto envolvimento com um menor de idade e, recentemente, votou contra o pedido de urgência de um projeto que pretendia enquadrar a pedofilia como crime hediondo.
Durante a campanha para as eleições municipais de 2024, nas quais disputou novamente a prefeitura de Aparecida de Goiânia, o deputado gravou um vídeo ao lado de crianças em tom de reação às acusações que o ligavam a casos de exploração sexual infantil.
Meses depois, dois assessores de seu gabinete foram presos sob suspeita de ameaçar um adolescente que teria um vídeo íntimo do parlamentar. Após o episódio, Alcides afirmou publicamente ser homossexual, alegou sofrer perseguição política e chegou a anunciar sua saída do PL — embora siga formalmente filiado à sigla.