28/11/25
A possível filiação do presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), Zé Mário Schreiner, ao PSD animou a cúpula nacional da sigla, mas acendeu um alerta entre lideranças goianas. O entusiasmo inicial esbarra em um ponto considerado decisivo: ingressar no partido sob o comando do senador Vanderlan Cardoso, atual presidente estadual, pode representar uma armadilha política.
Nos bastidores, o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, vê em Zé Mário a oportunidade de transformar a legenda em Goiás em uma estrutura eleitoral mais robusta, capaz de montar uma chapa competitiva para a Câmara dos Deputados nas próximas eleições. O movimento ampliaria a presença do partido em Brasília e aumentaria o acesso aos fundos partidário e eleitoral, além de fortalecer o poder de negociação.
Entretanto, dirigentes locais avaliam que nenhum desses planos se concretiza caso Zé Mário entre na legenda subordinado a Vanderlan. A leitura é que quem se filia ao PSD sob o controle do senador tende a ficar preso ao projeto pessoal dele — especialmente na disputa ao Senado, onde não há sinalização de espaço para outros nomes.
O caso do ex-prefeito Gustavo Mendanha é citado como exemplo. Ele se filiou ao PSD com a expectativa de disputar o Senado, mas viu sua movimentação política travar diante das ambições de Vanderlan, que trabalha por sua própria reeleição.
Para que Zé Mário tenha margem real de atuação no PSD — inclusive para uma eventual composição como vice na chapa de Daniel Vilela — interlocutores afirmam que seria necessário assumir o comando do partido no estado. Sem isso, avaliam, o movimento pode se transformar em mais um passo arriscado no tabuleiro político goiano.