Goiânia, 29/11/2025
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Ataques de Clécio a Mabel evidenciam crise de decoro na Alego, analisa Cileide Alves

29/11/25

A jornalista Cileide Alves publicou no jornal O Popular o artigo “As tragédias no Parlamento”, no qual relata a postura adotada pelo deputado estadual Clécio Alves (Republicanos) durante a sessão desta quinta-feira (27) na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego). Segundo o texto, o parlamentar subiu seis vezes à tribuna apenas para atacar o prefeito Sandro Mabel (União Brasil). Foram, de acordo com Cileide, “173 insultos, quase seis por minuto”, com referências a expressões como “malandro”, “pilantra”, “bandido” e “mau caráter”.

A jornalista destacou que os ataques ocorreram em reação à manifestação de Mabel, que havia sido questionado sobre o projeto de decreto legislativo apresentado por Clécio para derrubar o estado de calamidade financeira em Goiânia. O prefeito criticou o parlamentar e afirmou que “cortou o salário que ele tinha lá de quase R$ 2 milhões”.

No artigo, Cileide observa que o deputado poderia ter utilizado o espaço para sustentar uma posição técnica ou administrativa sobre o decreto, mas preferiu recorrer ao discurso ofensivo. “O deputado poderia ter usado seu tempo com explicações técnicas, administrativas e políticas. No entanto, optou pela repetição de insultos, talvez por acreditar que o poder da tribuna deriva menos da força das ideias e mais do volume da ofensa”, afirma a jornalista.

A autora chama atenção para o fato de que o Regimento Interno da Alego e o Código de Ética e Decoro Parlamentar estabelecem a preservação da dignidade do mandato e do ambiente político. Cileide lembra que o presidente da Casa pode interromper o orador quando houver ofensa contra poderes constituídos. Mesmo assim, “não houve reação do presidente Bruno Peixoto (UB) nem de outro deputado ao tiroteio verbal de Clécio”.

O artigo contextualiza o episódio em um cenário mais amplo de deterioração do ambiente político no País. Para a jornalista, trata-se de mais um sintoma de um momento em que o debate parlamentar se desloca do campo das ideias para a lógica da agressão verbal e do espetáculo.

Ao usar o caso como exemplo, Cileide argumenta que parlamentares passaram a enxergar a tribuna como instrumento de ataque pessoal e não como espaço institucional de discussão pública. “A tragédia torna-se pior”, escreve, quando o Legislativo amplia sua influência sobre funções do Executivo e perde referência de responsabilidade institucional.

O texto conclui afirmando que episódios como o da sessão desta quinta-feira já não provocam constrangimento. Para a jornalista, o desgaste na qualidade do debate é sintomático de um Parlamento que, cada vez mais, “usa a linguagem mais como arma do que como ponte para o diálogo”.


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