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Segurança pública expõe contraste político e impõe desafio a Marconi Perillo em 2026

07/12/25

A segurança pública aparece como a principal preocupação do brasileiro em 2025 e tende a ser um dos eixos centrais da eleição de 2026. Levantamento do instituto Genial/Quaest indica que a violência é apontada como maior temor por 30% da população, superando problemas sociais, economia, corrupção e saúde. O dado, somado ao cenário nacional e à pressão por soluções concretas, coloca o debate sobre criminalidade no centro da disputa política — sobretudo em Goiás.

No estado, duas administrações com histórico de governo devem se enfrentar: o atual governador Ronaldo Caiado (UB), que busca projeção nacional ao lançar-se pré-candidato à Presidência, e o ex-governador Marconi Perillo (PSDB), que tenta retornar ao Palácio das Esmeraldas após quatro mandatos e derrotas recentes. O contraste numérico entre as duas gestões ajuda a explicar por que o tema representa ativo para um e obstáculo para o outro.

Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública — referência estatística nacional — mostram queda expressiva nos indicadores criminais desde 2016, último ciclo consolidado da gestão tucana selecionado para comparação. Naquele ano, Goiás registrou 2.491 crimes violentos letais intencionais. Em 2024, já no governo Caiado, o número caiu para 960, redução de 61,4%.

No latrocínio, o recorte é ainda mais profundo: foram 186 casos em 2016 contra 18 em 2024, queda de 90,3%. Roubos de veículos, que somaram 17.181 ocorrências no período marconista analisado, despencaram para 756. No roubo de carga, o recuo vai de 702 registros para 22.

A mesma tendência aparece em Goiânia. Em 2016, a capital contabilizou 439 homicídios dolosos e 14 lesões corporais seguidas de morte. Em 2024, os números passaram para 132 e 3 casos, respectivamente.

Além dos registros absolutos, o anuário mostra mudança no posicionamento do estado no ranking nacional. Em 2017, Goiás ocupava o 8º lugar entre os mais violentos, com taxa de 43,8 mortes por 100 mil habitantes. Na edição de 2025, referente ao ano anterior, aparece em 19º, com indicador de 15,1.

Eleição
O cenário projeta efeitos diretos na disputa estadual. Enquanto Caiado busca consolidar o nome do vice, Daniel Vilela (MDB), como candidato da continuidade, Marconi enfrenta o peso das estatísticas de sua última gestão. A segurança pública, que ganhou centralidade no debate nacional após operações de grande impacto e tramitação de projetos como o PL Antifacção e a PEC da Segurança Pública, pode se tornar um ponto sensível para o ex-governador.

A avaliação técnica dos números indica que o tema, embora inevitável em qualquer campanha majoritária, tende a ser explorado em campos opostos: para Caiado, como resultado de uma política sustentada por indicadores; para Marconi, como um capítulo incômodo de seu legado administrativo.

Com a segurança no topo das preocupações do eleitorado, a disputa no próximo ano se desenha menos sobre promessas e mais sobre histórico. Um candidato entra na arena com dados que reforçam discurso, outro com números que exigem explicação. O contraste ajuda a definir o terreno onde parte decisiva da eleição será travada.


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