07/12/25
A possibilidade de candidatura de Marconi Perillo (PSDB) ao governo de Goiás em 2026 reacende um debate antigo dentro do partido: a ausência de renovação interna. Filiado histórico e vitorioso em quatro eleições para o Executivo estadual — 1998, 2002, 2010 e 2014 — o tucano permaneceu 16 anos no comando político do Estado, tempo superior ao de líderes latino-americanos frequentemente associados à longa permanência no poder. A defesa recente de “alternância e renovação” tem esbarrado, no entanto, na própria trajetória do ex-governador.
Ao longo de duas décadas, nomes competitivos estiveram disponíveis para sucessão interna, mas não avançaram. Em 2006, o PSDB poderia ter apostado no médico Leonardo Vilela, considerado um quadro técnico respeitado, mas a escolha recaiu sobre Alcides Rodrigues, então visto como alguém que não ameaçaria a retomada futura de Perillo. Outras lideranças também foram deixadas à margem: Raquel Teixeira, Lúcia Vânia, Giuseppe Vecci e José Paulo Loureiro aparecem entre os exemplos citados por tucanos.
Loureiro, então uma promessa eleitoral, não teve apoio para disputar a Prefeitura de Goiânia. Raquel, doutora e ex-secretária, só encontrou espaço político no Rio Grande do Sul. Giuseppe Vecci, responsável por entregas relevantes na gestão, foi deslocado para a Câmara dos Deputados apesar do perfil executivo. Vilmar Rocha igualmente reconhecido no meio político, nunca foi projetado ao governo pelo PSDB.
A preferência por perfis que não ameaçassem seu retorno ao Palácio das Esmeraldas se estendeu a gerações mais jovens. Thiago Peixoto, revelação da política goiana, assumiu a Secretaria de Educação, mas deixou o Estado após desgaste administrativo. Hoje, ocupa chefia na área educacional em Florianópolis depois de passagem acadêmica por Harvard.
Mesmo com o discurso recente de mudança, a resistência em abrir caminho para nomes emergentes permanece. “Se fala em renovação, por que não apoiar uma candidatura de Aava Santiago ao governo?”, questiona análise do Jornal Opção, que recorda a exclusão histórica de quadros com potencial de crescimento. Para o colunista, Perillo defende alternância enquanto tenta reassumir o comando estadual depois de longo afastamento.
Dois períodos distintos
A avaliação de governo também divide especialistas e aliados. Os primeiros mandatos registraram entregas de peso: UEG (1999), Bolsa Universitária (1999), Renda Cidadã (1999), Crer (2002) e Centro Cultural Oscar Niemeyer (2006). No segundo ciclo, de 2011 em diante, o desempenho teria perdido vigor, com obras inacabadas e maior interferência de grupos empresariais próximos ao governo.
Tucanos ouvidos reservadamente atribuem a mudança a uma ruptura interna. Conselheiros técnicos foram afastados, e a aproximação com empreiteiras teria substituído quadros de planejamento estratégico. “Quando os formuladores saíram, o eixo de decisão mudou”, relatou à reportagem um dirigente do partido.
Hoje, mesmo morando parte do tempo em São Paulo, Marconi articula o retorno ao governo e tenta recompor pontes com a velha guarda — Helio de Sousa, Itamar Leão, Giuseppe Vecci e Afrêni Gonçalves estão entre os que o apoiam. O entusiasmo, porém, é incerto.
A dúvida colocada pelos próprios tucanos segue em aberto: o partido terá espaço para novos nomes enquanto o ex-governador se mantém como único projeto disponível? A resposta, como aponta a análise, caberá ao eleitor — e ao PSDB que deseja sobreviver politicamente após 2026.