12/12/25
A Polícia Federal indiciou o deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO) por suspeita de desvio de dinheiro público por meio da cota parlamentar. O inquérito tramita sob sigilo, mas, segundo apuração, os investigadores identificaram indícios da prática de quatro crimes: associação criminosa, falsidade ideológica, falsificação de documento particular e peculato. O relatório final já foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), instância responsável por analisar casos envolvendo parlamentares com foro privilegiado.
A investigação ganhou força em outubro de 2024, quando a Polícia Federal realizou buscas no apartamento funcional do deputado, em Brasília, e em um endereço ligado a ele em Goiânia. Na operação, agentes apreenderam arquivos e o celular do parlamentar, além de cumprir mandados contra assessores. Em um dos endereços, a PF encontrou R$ 72 mil em dinheiro vivo na casa de um assessor.
Segundo os investigadores, o suposto esquema foi identificado a partir da análise do celular de João Paulo de Sousa Cavalcante, assessor de Gayer que já havia sido preso no âmbito das investigações sobre os atos golpistas de 8 de janeiro. No aparelho, a PF encontrou indícios de uso irregular da cota parlamentar, recurso destinado a despesas do mandato, como a manutenção de escritório político no estado. De acordo com a apuração, o endereço declarado como gabinete em Goiás também funcionaria como loja comercial e escola de inglês, o que reforçou as suspeitas.
Em decisão do ano passado, o STF afirmou que Gustavo Gayer é apontado como peça central da associação criminosa investigada, descrito como autor intelectual dos possíveis crimes, responsável por direcionar verbas públicas para atividades privadas com o objetivo de financiar atos antidemocráticos. À época da operação, o deputado classificou a ação da Polícia Federal como “surreal” e negou qualquer irregularidade, afirmando que nunca cometeu crime e que não compreendia o motivo das buscas e apreensões.