16/12/25
A gravação de um vídeo político sobre o túmulo de Iris Rezende, no Cemitério Santana, em Goiânia, provocou forte reação negativa nas redes sociais. O conteúdo foi produzido pelo jovem Humberto Ferraço, apoiador declarado do ex-governador Marconi Perillo (PSDB), e passou a circular em perfis e grupos ligados ao marconismo.
No vídeo, Ferraço sobe no túmulo de Iris Rezende e de Dona Iris Araújo para fazer um discurso político, atacar adversários de Marconi e questionar a relação histórica do ex-prefeito com o MDB do vice-governador Daniel Vilela. A escolha do local e o teor da fala foram interpretados por internautas como uso indevido da memória de Iris para fins eleitorais.
A reação foi imediata. Comentários apontaram falta de respeito e criticaram a tentativa de transformar um espaço de luto em palanque político. “Se tivesse respeito, não estaria fazendo palanque em frente ao túmulo dele”, escreveu Júnior Cardoso. Já Thiago Moura Fé afirmou que aliados de Marconi tentam se apropriar de um legado que não lhes pertence: “O Iris não gostava de vocês”.
Outros usuários ironizaram o episódio. “A política brasileira chegou ao ponto de alguém ir a um túmulo gravar vídeo para rede social”, comentou Humberto Monteiro. Adélio Prado Neto também reprovou a atitude: “Esse não é lugar para isso”.
A divulgação do vídeo ocorre em meio à tentativa de aliados de Marconi Perillo de recolocar o ex-governador no debate político em Goiás. Derrotado nas duas últimas eleições, o tucano busca recuperar espaço recorrendo a referências históricas que, segundo críticos, sempre estiveram em campo oposto ao seu projeto político.
A iniciativa, no entanto, teve efeito contrário. O discurso do apoiador foi alvo de ironias e críticas, inclusive de militantes experientes. O emedebista Luiz Cascão afirmou que Humberto Ferraço demonstra desconhecimento da trajetória de Iris Rezende, Maguito Vilela e Daniel Vilela. “Você não conhece essa história e ainda apoia quem trabalhou duríssimo para destruir a reputação deles. Antes de opinar, conheça os fatos”, escreveu.