04/01/26
Na política, alianças raramente são definitivas. A lógica do jogo costuma transformar adversários em parceiros conforme o cenário eleitoral muda. O deputado federal Gustavo Gayer, dirigente do PL em Goiânia, tornou-se exemplo recente dessa dinâmica ao passar a defender uma aliança que, até pouco tempo atrás, havia sido publicamente rechaçada por ele e pelo diretório municipal da legenda.
Em dezembro de 2024, o PL de Goiânia divulgou uma nota de repúdio contra Major Vitor Hugo, então ex-deputado federal e vereador eleito pelo partido. O texto acusava Vitor Hugo de articular, de forma unilateral, uma aproximação do PL com o projeto político do vice-governador Daniel Vilela, contrariando a posição oficial da sigla, que defendia candidatura própria ao governo de Goiás.
A reação ocorreu após uma reunião articulada por Vitor Hugo, a pedido do ex-presidente Jair Bolsonaro, entre Bolsonaro e Daniel Vilela. À época, Vitor Hugo assumiu o desgaste interno ao sustentar a possibilidade de diálogo entre o bolsonarismo e o vice-governador, o que resultou na nota de repúdio e no isolamento político dentro do partido.
Naquele momento, Gayer se colocava como defensor do projeto do senador Wilder Morais, que buscava viabilizar sua pré-candidatura ao Palácio das Esmeraldas pelo PL. Um ano depois, o cenário mudou. Conforme o jornal Opção, o deputado federal passou a sustentar que a aliança com Daniel Vilela representa o caminho mais viável para o partido em Goiás.
Essa posição ficou evidente em uma reunião realizada no Palácio Pedro Ludovico, que reuniu o governador Ronaldo Caiado, o senador Flávio Bolsonaro, Wilder Morais e o próprio Gustavo Gayer. Segundo relatos de bastidores, enquanto Wilder reiterou a intenção de manter sua pré-candidatura, Gayer defendeu a união do PL com Daniel Vilela como estratégia eleitoral, o que, na prática, o colocaria em uma chapa governista ao Senado ao lado da primeira-dama Gracinha Caiado.
A mudança de postura expõe a reacomodação de forças dentro do PL goiano e reforça a máxima de que, na política, posições raramente são permanentes. O discurso que antes condenava a aproximação com Daniel Vilela agora serve de base para a construção de uma aliança considerada, por Gayer, mais eficaz para o próximo ciclo eleitoral.