13/01/26
Reportagem publicada pelo O Popular nesta terça-feira (13/1) aponta que o deputado federal Professor Alcides (PL) e o senador Vanderlan Cardoso (PSD) atuaram no Congresso Nacional em pautas alinhadas a interesses ligados aos próprios negócios e aos segmentos econômicos em que mantêm atuação privada, ao longo das duas últimas legislaturas.
Segundo o levantamento, ambos apresentaram projetos, emendas e relatórios que buscavam alterar regras legais com potencial benefício direto a seus setores empresariais. As iniciativas, no entanto, não produziram efeitos práticos, seja por rejeição nas votações ou por paralisação da tramitação. As informações também foram registradas em reportagem do portal UOL.
No caso de Vanderlan Cardoso, proprietário do grupo Cicopal, com atuação na indústria de alimentos ultraprocessados e bebidas, o jornal destaca emendas apresentadas durante a reforma tributária para reduzir a alíquota de biscoitos e bolachas e para retirar bebidas açucaradas do imposto seletivo. As propostas chegaram a ser aprovadas no Senado, mas foram derrubadas na Câmara dos Deputados. Nas justificativas, o senador argumentou ausência de relação direta entre bebidas açucaradas e obesidade e alertou para possíveis impactos econômicos e no emprego.
Já Professor Alcides, empresário do setor educacional e proprietário de colégios particulares e do Centro Universitário Alfredo Nasser (Unifan), foi autor ou relator de projetos que ampliam o alcance do Fies e do Prouni. A instituição recebeu R$ 11 milhões do Fies desde 2019. Em relatórios na Comissão de Educação, o deputado defendeu flexibilizações no pagamento do financiamento estudantil e a ampliação do público atendido pelos programas.
Em nota enviada ao O Popular, a assessoria de Vanderlan Cardoso afirmou que a atuação do senador foi pautada por critérios de justiça social e regional, negando motivação empresarial e destacando que os produtos citados representariam menos de 7% do faturamento do grupo. Professor Alcides não respondeu ao jornal até o fechamento da edição; ao UOL, disse que sua atuação não se baseia em interesses particulares, mas na defesa do direito à educação.