17/01/26
A participação em um reality marcado por ostentação não impediu que o passado recente viesse à tona. A empresária Thaily Semensato e o marido, Laion Yanagu, exibidos no programa Poderosas do Cerrado, foram investigados em inquérito da Polícia Federal por suspeitas de contrabando de bebidas alcoólicas e crimes fiscais. O casal é proprietário da Casa da Bebida, que se apresenta como a maior loja virtual de destilados do país.
A apuração começou em 2020, no Paraná, e reuniu mais de 3 mil páginas, com relatórios fiscais e mensagens extraídas de aparelhos apreendidos. De acordo com a Polícia Federal, surgiram indícios de comercialização de bebidas sem nota fiscal, subfaturamento de vendas e adoção de rotas logísticas voltadas a reduzir a fiscalização, práticas associadas ao contrabando de mercadorias estrangeiras, sobretudo do Paraguai.
Evolução patrimonial
Relatórios da Receita Federal indicaram que, entre 2016 e 2019, cargas vinculadas ao casal foram apreendidas ao menos oito vezes em estados do Sul e Sudeste, algumas em trechos próximos à fronteira paraguaia. Em uma das ações, fiscais encontraram mapas com caminhos alternativos para contornar postos de controle, o que reforçou a suspeita de organização do esquema.
Os investigadores também analisaram a evolução patrimonial entre 2018 e 2022, considerada incompatível, em tese, com a atividade declarada. Entre os bens mapeados estavam imóveis em áreas valorizadas, veículos de luxo e motos aquáticas. Para a PF, a sonegação tributária associada ao contrabando poderia explicar o crescimento financeiro observado.
Mensagens examinadas no inquérito mostram clientes questionando a ausência de documentação de importação e a procedência das bebidas. Em uma das conversas, Laion Yanagu mencionou que apreensões eventuais faziam parte da operação e não comprometeriam o negócio, referência direta aos riscos inerentes ao contrabando.
Arquivamento
Apesar dos indícios reunidos, o inquérito foi arquivado em setembro de 2025, poucos dias após ser remetido ao Ministério Público Federal em Goiás, em razão da mudança da sede da empresa. A decisão apontou insuficiência de provas para sustentar a persecução penal naquele momento, mas ressaltou que apurações sobre contrabando podem ser reabertas caso surjam novos elementos.