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Associação Comunidade Batista lidera recebimento de emendas impositivas em Goiânia

18/01/26

A Associação Comunidade Batista (ACB) figura como a principal destinatária de emendas parlamentares impositivas indicadas por vereadores de Goiânia. Levantamentos sobre a Lei Orçamentária Anual (LOA) apontam que a entidade foi a maior beneficiária em 2025 e deve manter a posição em 2026, quando a previsão de repasses alcança R$ 14,7 milhões. No exercício anterior, a associação recebeu R$ 14 milhões do mesmo tipo de recurso.

Neste ano, dez vereadores destinaram emendas à ACB: Markim Goyá (PRD), Léia Klebia (Podemos), Ronilson Reis (Solidariedade), Sargento Novandir (MDB), Léo José (Solidariedade), Oséias Varão (PL), Luan Alves (MDB), Welton Lemos (Solidariedade), Lucas Vergílio (MDB) e Daniela da Gilka (PRTB). A vereadora Léia Klebia foi responsável pelo maior valor individual previsto para 2026, com R$ 3,2 milhões.

A proposta orçamentária enviada pelo Executivo municipal estima receita e despesa totais de R$ 10,8 bilhões para o próximo exercício. Do total reservado às emendas impositivas — cerca de R$ 185 milhões — cada um dos 37 vereadores dispõe de aproximadamente R$ 5 milhões para indicar prioridades. O montante corresponde a cerca de 1,7% da receita projetada, percentual dentro do limite constitucional de até 2% da Receita Corrente Líquida.

Dados analisados a partir da LOA indicam que a maior parte dos recursos segue direcionada a associações civis e organizações da sociedade civil. Aproximadamente 89% das emendas impositivas previstas para 2026 têm como destino entidades sem fins lucrativos, enquanto R$ 21,7 milhões, o equivalente a 11,7%, foram alocados diretamente à Prefeitura de Goiânia para execução de políticas públicas.

Criada em 18 de setembro de 2010, a ACB é uma associação privada, sem fins econômicos, de caráter educacional, científico e cultural, com estatuto registrado no 1º Tabelionato de Protestos e Registro de Pessoas Jurídicas da capital. A última atualização estatutária ocorreu em novembro de 2021. Em 2016, a Assembleia Legislativa de Goiás declarou a entidade de utilidade pública estadual. O mesmo reconhecimento, em âmbito municipal, foi aprovado pela Câmara de Goiânia em 2024, por iniciativa da vereadora Léia Klebia, com sanção do Executivo.

Atualmente, a associação funciona em uma clínica compartilhada na Rua R-12, no Setor Oeste. O espaço conta com área administrativa, uma sala de atendimento e estrutura voltada principalmente à fisioterapia e ortopedia. No período da tarde acompanhado pela reportagem, cinco pacientes estavam em atendimento, com um fisioterapeuta no local.

Entre eles, a aposentada Cely Heloísa Kansog, de 72 anos, relatou que chegou à entidade por indicação de um vizinho. “Fui muito bem recebida e estou com apenas três sessões, mas já estou me sentindo melhor”, afirmou. Adesilda Santana, de 91 anos, também em tratamento, disse que o atendimento é gratuito e humanizado.

Ao jornal Opção, o presidente da ACB, Diogo Pereira Marquez, afirmou que a entidade mantém interesse em esclarecer dúvidas da sociedade, da imprensa e dos órgãos de controle sobre a aplicação dos recursos públicos. “É do nosso interesse que todos vejam que somos uma entidade séria e transparente em tudo o que fazemos. Trabalhamos com dinheiro público, com recursos da população, e isso para nós é algo muito sério”, disse.

Segundo ele, os atendimentos clínicos não representam o principal eixo de atuação da associação. A prioridade estaria nos mutirões de saúde e nos programas de qualificação profissional realizados em bairros da capital. Marquez lembrou que o trabalho social começou de forma voluntária nos anos 2000 e foi institucionalizado em 2010. “Antes da associação formal, já fazíamos ações simples, como no Natal e no Dia das Crianças, sempre tentando ajudar o próximo”, relatou.

O primeiro recebimento de emendas parlamentares ocorreu em 2024. De acordo com o presidente, os recursos permitiram ampliar os projetos, sobretudo na qualificação profissional. “Fizemos cursos, atendemos cerca de 2 mil pessoas e todas as prestações de contas foram aprovadas”, afirmou. Entre as ações, estão cursos de estética, cabeleireiro e outras atividades que, segundo ele, geram renda. “Temos relatos de mulheres ganhando de R$ 3 mil a até R$ 8 mil por mês”, disse.

Na área da saúde, a associação atua com atendimentos contínuos e mutirões de oftalmologia. Para janeiro, estão previstas ações na Vila Novo Horizonte, no dia 24, e no Setor Leste Vila Nova, no dia 31. “Além da consulta, fazemos a doação dos óculos e acompanhamos o pós-atendimento”, explicou.

Marquez destacou que a escolha dos bairros segue dados oficiais sobre filas do SUS e demandas reprimidas. “Usamos informações da Prefeitura para identificar onde há maior necessidade. O objetivo é atender quem mais precisa”, afirmou. Ele acrescentou que a entidade possui alvarás, autorizações sanitárias, certificações e prestações de contas aprovadas. “Tudo é informado à Prefeitura, com relatórios e listas de presença. Estamos sempre abertos à fiscalização”, concluiu.


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