18/01/26
Um político eleito quatro vezes governador de Goiás não pode ser tratado como figura menor no cenário estadual. Marconi Perillo, do PSDB, construiu vitórias expressivas ao longo de duas décadas e enfrentou adversários competitivos. A questão que se impõe, no entanto, não é o tamanho do currículo, mas a natureza de sua liderança quando o poder institucional deixa de ser um instrumento direto.
Há dirigentes que mantêm influência independentemente do cargo que ocupam. Outros parecem liderar apenas enquanto controlam a máquina pública. Desde que deixou o governo, em 2018, Perillo enfrenta dificuldades para se afirmar como referência política. Derrotado duas vezes na disputa pelo Senado, optou por se afastar do Estado e fixar residência em São Paulo, movimento que reforçou a percepção de ausência no cotidiano da oposição goiana. A impressão predominante é a de que retorna a Goiás apenas em períodos eleitorais.
Mesmo agora, ao se apresentar como pré-candidato ao governo, não conseguiu atrair aliados de peso nem reorganizar o PSDB como polo de articulação. A incapacidade de agregar forças revela um problema recorrente: liderança que depende do cargo tende a se esvaziar fora dele.
A comparação com Iris Rezende ajuda a dimensionar o contraste. O emedebista perdeu três eleições para Perillo, mas preservou capital político. Mesmo enfrentando o aparato estadual tucano, voltou a ser eleito prefeito de Goiânia por três vezes. Sem controlar o governo do Estado, Iris reuniu aliados diversos, como o PT de Paulo Garcia, e demonstrou capacidade de sobreviver politicamente sob pressão.
Outro exemplo é o governador Ronaldo Caiado. Durante os anos de hegemonia tucana, resistiu ao assédio da máquina estadual, manteve grupo próprio e acumulou mandatos. Foi eleito deputado federal em sequência, senador em 2014 e governador em 2018, quando derrotou, no primeiro turno, o candidato apoiado por Perillo. Em 2022, já no cargo, garantiu a reeleição com o PSDB fora da disputa majoritária.
Nesse período, Perillo acumulou derrotas: perdeu o Senado em 2018 para Vanderlan Cardoso e Jorge Kajuru, e em 2022 ficou atrás de Wilder Morais. Mesmo assim, não promoveu autocrítica nem abriu espaço para renovação interna. A insistência em protagonizar todas as disputas majoritárias limita o surgimento de novos quadros e enfraquece a defesa coletiva do partido.
O resultado é um PSDB com seguidores disciplinados, mas sem lideranças capazes de sustentar um projeto comum. Fora do poder, Perillo revela dificuldade de formar quadros autônomos e de articular uma oposição consistente. Liderança que não se renova, nem se distribui, tende a se esgotar quando a máquina pública deixa de estar à disposição.