19/01/26
Um almoço realizado na semana passada, no Palácio das Esmeraldas, evidenciou a pressão interna de prefeitos e deputados do PL por uma aliança com Daniel Vilela, pré-candidato ao governo de Goiás pelo MDB. O encontro reuniu o governador Ronaldo Caiado (União Brasil), o vice-governador e os deputados Magda Mofatto e Ismael Alexandrino, sinalizando convergência política em torno do projeto governista para 2026.
Magda Mofatto retornou recentemente ao PL após passagem pelo PRD, enquanto Ismael Alexandrino articula a troca do PSD pelo PL a partir de março. Embora o deputado Gustavo Gayer não tenha participado do almoço, a avaliação comum entre os parlamentares é de que o partido deve operar de forma permanente para consolidar a aliança com Daniel Vilela e com Gracinha Caiado (União Brasil), pré-candidata ao Senado pelo União Brasil.
No campo municipal, o movimento é ainda mais explícito. O prefeito de Anápolis, Márcio Corrêa, principal liderança do PL em Goiás e gestor de um dos maiores PIBs do Estado, já declarou apoio integral à chapa formada por Daniel Vilela, Gracinha Caiado e Gustavo Gayer. Entre dirigentes e estrategistas, cresce a leitura de que o peso político de um bloco de deputados federais supera, no cenário atual, o capital isolado de um senador.
Essa avaliação se reflete no isolamento do senador Wilder Morais dentro do próprio partido. Prefeitos do PL têm manifestado resistência em apoiá-lo para o governo e preferem compor com Daniel Vilela. Alguns já avaliam deixar a legenda caso a candidatura seja mantida. O prefeito de São Miguel do Araguaia, Jerônymo Siqueira, já migrou para o MDB, enquanto Carlinhos do Mangão, de Nova Gama, declarou apoio ao vice-governador mesmo permanecendo no PL.
A fragilidade do grupo liderado por Wilder Morais também é apontada pela ausência de pré-candidatos competitivos à Câmara dos Deputados, fator considerado decisivo para o fortalecimento partidário em Brasília. A situação já foi comunicada ao presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto. Nos bastidores, a leitura predominante é que, sem uma base robusta de deputados federais, o controle do partido pelo senador pode reduzir o acesso do PL a fundo eleitoral, fundo partidário e tempo de televisão, reforçando a pressão por um alinhamento com Daniel Vilela.