19/01/26
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro esteve no Supremo Tribunal Federal na semana passada, onde se apresentou de forma discreta, com traje austero e sem maquiagem aparente. No tribunal, manteve conversas com os ministros Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, a quem relatou detalhes sobre o estado de saúde do marido, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e seu histórico médico recente.
Segundo relatos de ministros a colegas, Michelle adotou postura objetiva e segura ao expor a situação clínica do ex-presidente. Um dos magistrados afirmou ter se surpreendido com o tom “suave”, mas com discurso considerado articulado e direto, avaliando que a ex-primeira-dama “portou-se melhor do que muitos advogados” em audiências no Supremo.
A aproximação com os ministros foi precedida por articulações políticas. Para chegar a Alexandre de Moraes, a interlocução foi feita pelo deputado federal Altineu Côrtes, vice-presidente da Câmara. Já o contato com Gilmar Mendes ocorreu por meio de um representante ligado ao Mato Grosso, estado de origem do ministro. As audiências seguiram os protocolos de segurança do STF, com acesso restrito por biometria facial e presença permanente de policiais federais.
Ainda na antessala dos gabinetes, Michelle demonstrou atenção aos detalhes. Perguntou o nome dos agentes, cumprimentou-os pessoalmente e só então entrou para as reuniões. No relato aos ministros, descreveu a rotina do marido e os efeitos da combinação de medicamentos utilizados para tratar diferentes intercorrências de saúde. Segundo ela, as interações medicamentosas fazem com que Bolsonaro acorde durante a noite desorientado, sem reconhecer o ambiente, o que aumenta o risco de quedas e acidentes ao tentar se levantar rapidamente.
Horas após a conversa, Alexandre de Moraes determinou a transferência de Bolsonaro para o complexo conhecido como Papudinha, anexo ao presídio da Papuda, onde passou a ocupar uma sala de Estado-Maior, em condições consideradas mais favoráveis de espaço e locomoção. Gilmar Mendes, por sua vez, rejeitou um pedido de prisão domiciliar por questões técnicas, mas permanece apto a analisar novas iniciativas sobre o tema. Na saída do STF, Michelle ainda pediu para se despedir nominalmente de um policial que a havia recebido, gesto interpretado por observadores como mais do que cortesia: um sinal de alguém que compreende o peso simbólico de cada movimento na arena política.