22/01/26
O principal acusado pelas mortes de ao menos três pacientes da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta, Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, de 24 anos, foi preso e é morador de Águas Lindas de Goiás. Além dele, também foram presas as técnicas de enfermagem Amanda Rodrigues de Sousa, de 22 anos, e Marcela Camilly Alves da Silva, de 28 anos. Segundo a Polícia Civil do Distrito Federal, imagens do sistema de segurança do hospital mostram a participação das suspeitas, que teriam assistido aos homicídios.
As investigações apontam que Marcos Vinícius teria injetado doses letais de medicamentos e até desinfetante em pacientes internados na UTI, com o objetivo de provocar a morte. A Polícia Civil apura ainda outras cerca de vinte mortes ocorridas na unidade hospitalar para verificar eventual ligação com os investigados. As aplicações teriam ocorrido em pelo menos duas datas: 17 de novembro e 1º de dezembro do ano passado.
Até o momento, três vítimas foram oficialmente identificadas: João Clemente Pereira, de 63 anos, supervisor da Caesb; Marcos Raymundo Fernandes Moreira, de 33 anos, carteiro; e a professora aposentada Miranilde Pereira da Silva, de 75 anos. Todos eram servidores públicos e estavam internados na mesma UTI. Em um dos casos, segundo a polícia, a vítima resistiu inicialmente às substâncias, levando o suspeito a injetar desinfetante na veia por mais de dez vezes.
As mortes, registradas em dezembro, levantaram suspeitas da direção do hospital, que abriu investigação interna. Após constatar irregularidades na conduta dos profissionais, a unidade demitiu os três suspeitos e comunicou o caso à Polícia Civil. Mesmo após a demissão, Marcos Vinícius chegou a atuar em uma UTI Neonatal no Distrito Federal. De acordo com o R7, ao ser preso, ele teria confessado os crimes e não demonstrado arrependimento.
Segundo os investigadores, Marcos Vinícius atuava como técnico de enfermagem há pelo menos cinco anos. Ele teria usado indevidamente o acesso de um médico ao sistema do hospital para prescrever medicamentos incorretos, retirar as substâncias da farmácia e aplicá-las nas vítimas.
Para tentar ocultar o crime, quando os pacientes entravam em choque ou sofriam paradas cardíacas, o técnico simulava procedimentos de reanimação. A polícia apurou ainda que Amanda e Marcela teriam auxiliado em dois dos casos, inclusive vigiando o ambiente. A investigação segue sob sigilo, e a defesa dos acusados não foi localizada até a publicação. O espaço permanece aberto para manifestações.