24/01/26
Vereadores da Câmara Municipal de Goiânia já discutem a realização da eleição para a próxima mesa diretora ainda em outubro, logo após o primeiro turno das eleições gerais. O pleito definirá o presidente do Legislativo municipal para o biênio 2027-2028 e ocorre em meio à sucessão do atual chefe da Casa, Romário Policarpo (PRD).
Ao menos três parlamentares ligados ao grupo de Policarpo são citados como possíveis candidatos: Henrique Alves (MDB), Ronilson Reis (Solidariedade) e Thialu Guiotti (Avante). Os três já movimentam conversas internas, embora adotem discursos cautelosos em público.
Apuração junto a vereadores indica que a definição por outubro ganhou força após avaliação da própria presidência da Casa. A antecipação para datas anteriores chegou a ser cogitada, mas foi descartada diante do risco de questionamentos judiciais. Segundo relatos, Policarpo e integrantes da cúpula comunicaram individualmente que a convocação da eleição deve respeitar o marco temporal admitido pela jurisprudência do Supremo Tribunal Federal.
O cálculo político também considera o perfil do colégio eleitoral. Levantamento recente aponta que 19 dos 37 vereadores pretendem disputar cargos nas eleições gerais, o que pode alterar a composição da Casa. A avaliação predominante é que os votantes efetivos serão, em sua maioria, parlamentares que permanecerão com mandato em 2027 e suplentes que assumirem vagas.
Nos bastidores, há consenso de que o próximo presidente precisará manter capacidade de articulação interna e interlocução com o Executivo municipal, comandado por Sandro Mabel (União Brasil), em um cenário marcado por atritos institucionais no primeiro ano da atual gestão.
Entre os nomes citados, conforme o jornal O Popular, Ronilson Reis é apontado por colegas como quem mais intensificou contatos desde o fim do ano passado. Apesar disso, ele nega pré-candidatura. “Eu não sou candidato a nada, não sou candidato de mim mesmo. Eu apoiarei o candidato do Romário e do Sandro. Acho que isso só vai ser discutido em outubro”, afirmou, ao defender que o futuro presidente tenha “bom diálogo com todos os colegas e boa interlocução com o Paço”.
Henrique Alves, primeiro-secretário da Câmara, admite o interesse, mas pondera que a disputa depende de construção política. “Tenho vontade? Claro que sim. Agora isso tem de ser construído. Além do Policarpo, o prefeito também terá importância grande nesse processo”, disse.
Já Thialu Guiotti afirma que não trabalha para a Presidência no momento. Segundo ele, o foco está na organização partidária do Avante e na pré-candidatura a deputado federal. “Essa eleição só vai ocorrer em outubro. Até lá, não tem por que falar em pré-candidatura. Estou seguindo o que foi pedido pela cúpula da Câmara”, declarou.
Outros nomes lembrados, com menor força, são Wellington Bessa (DC), líder do governo, e Geverson Abel. Bessa disse que seu foco é a liderança governista e a pré-candidatura a deputado estadual. Abel admite interesse, mas aguarda definição de Policarpo e de Mabel.
Entendimento do STF
Embora o regimento interno da Câmara preveja eleição da mesa diretora em 1º de janeiro, decisões do STF autorizam a antecipação do pleito. O tribunal fixou outubro do ano anterior ao início do biênio como marco máximo, equivalente a 90 dias de antecedência, desde que respeitados critérios de razoabilidade.
Esse entendimento foi reafirmado em setembro de 2025, no julgamento da ADI 7753, relatada pelo ministro Cristiano Zanin, que considerou inconstitucional a possibilidade de eleições sem limite temporal claro. Em nota, a assessoria da Câmara informou que a eleição seguirá o regimento interno e a jurisprudência do STF. Em entrevista anterior, Policarpo afirmou que a escolha de um nome só ocorrerá após as eleições gerais. “Essa decisão eu pretendo tomar junto ao prefeito Sandro Mabel”, disse.