Goiânia, 02/03/2026
Voz de Goiás
·
Contato: vozgoias@gmail.com
Matérias


Wilder insiste em projeto próprio e fica isolado para eleição de 2026

25/01/26

O cenário eleitoral de 2026 em Goiás caminha para a consolidação de uma aliança ampla entre a base do governador Ronaldo Caiado, o MDB de Daniel Vilela e o PL. Nesse tabuleiro em formação, um nome passa a destoar do movimento majoritário dentro da própria legenda: o senador Wilder Morais, que insiste em manter a pré-candidatura ao governo do Estado.

A aproximação entre governistas e o PL começou a ser desenhada ainda em 2024, nos bastidores da eleição municipal de Goiânia. À época, a intenção era incluir um representante bolsonarista na chapa encabeçada por Sandro Mabel, então candidato apoiado por Caiado. As tratativas não avançaram, sobretudo pela decisão do PL de lançar candidatura própria, que acabou recaindo sobre Fred Rodrigues, após a retirada de Gustavo Gayer.

A derrota no segundo turno municipal encerrou aquele capítulo, mas a reorganização para 2026 recolocou a hipótese de aliança em pauta, agora com foco no Palácio das Esmeraldas. As conversas retomaram de forma discreta, mediadas por interlocutores. Um dos articuladores foi o vereador Major Vitor Hugo, responsável por aproximar Daniel Vilela do ex-presidente Jair Bolsonaro.

À época, a iniciativa gerou reação interna no PL. Wilder Morais e Gustavo Gayer chegaram a acusar Vitor Hugo de tentar submeter o partido ao governo estadual, uma vez que estava acordado, formalmente, que o PL teria candidato próprio ao Executivo. O tempo, porém, alterou a correlação de forças. Gayer passou a defender publicamente a composição, por ser um dos principais beneficiários do arranjo em negociação.

O desenho em construção prevê que o PL abra mão da candidatura ao governo e integre a base caiadista, apoiando Daniel Vilela. Em contrapartida, a sigla indicaria um nome para o Senado. A primeira vaga ficaria com a primeira-dama Gracinha Caiado, e a segunda com Gustavo Gayer. A articulação, inicialmente tratada como improvável, passou a ser confirmada em declarações públicas.

Em entrevista ao Poder360, Caiado afirmou que o acordo está avançado. “Esse processo [a aliança] já evoluiu muito, onde o PL deverá ocupar uma vaga na senatoria, que é o deputado Gayer. A outra vaga é da Gracinha, primeira-dama, e Daniel Vilela governador do Estado. Essa composição está sendo construída, sim”, disse. Segundo o governador, trata-se de uma aliança “que tem tudo a ver com a história política de Goiás”.

Nesse contexto, Wilder Morais passa a ocupar posição marginal no próprio partido. Presidente estadual do PL, ele anunciou a pré-candidatura ao governo apenas em novembro do ano passado, após meses de cobranças internas para que se posicionasse de forma objetiva. Mesmo depois do anúncio, não conseguiu consolidar apoio.

Pesquisas divulgadas até agora não indicam competitividade do senador. Em levantamentos recentes, como os do Instituto Paraná Pesquisas, Wilder aparece atrás de nomes que sequer disputam o governo, como a deputada federal Adriana Accorsi, que já afirmou que buscará a reeleição.

Além do desempenho eleitoral, pesa contra Wilder a estratégia nacional do PL. Lideranças da legenda têm reiterado que a prioridade do partido é ampliar a bancada no Senado, não disputar governos estaduais. Com Bolsonaro inelegível e outros quadros sob pressão judicial, o partido concentra esforços na Casa que pode influenciar diretamente a relação com o Supremo Tribunal Federal.

Mesmo diante desse quadro, Wilder mantém o discurso de candidatura própria. Segundo apuração do Jornal Opção, o senador tem procurado dirigentes e lideranças do PL para tentar reverter a tendência de aliança com o governo estadual. Até o momento, sem êxito.

Se a insistência decorre de convicção pessoal ou de cálculo político, não está claro. O fato é que, enquanto a composição majoritária avança para ser formalizada, Wilder segue isolado, sustentando um projeto que não encontra respaldo nem nas pesquisas nem na estratégia predominante do partido. O resultado é um palanque armado para poucos ouvintes, em um jogo que já parece decidido nos bastidores.


·

2026. Voz de Goiás. Direitos reservados.