25/01/26
O ex-governador Marconi Perillo ainda não conseguiu estruturar a própria chapa para a disputa pelo Governo de Goiás em 2026. Até agora, o único nome definido na composição majoritária é o dele. A dificuldade se estende à formação da chapa proporcional, tanto para deputado federal quanto para estadual.
Adversários têm explorado a ausência do tucano do cenário local e o chamam de “novo Anhanguera” e “bandeirante” do século 21. Não como elogio. A crítica aponta que Marconi mantém vida pessoal e política em São Paulo, onde busca espaço no conselho do Jockey Club de São Paulo, enquanto tenta viabilizar candidatura ao Palácio das Esmeraldas.
Na disputa proporcional para a Câmara dos Deputados, o PSDB conta, por ora, com Rebeca Romero, de Anápolis, e Itamar Leão, de Sanclerlândia. O jornalista Matheus Ribeiro tem afirmado que não pretende concorrer. Na eleição passada, segundo aliados, ele teria sido usado para compor quociente eleitoral que resultou na eleição de Lêda Borges. Já o médico Hélio de Sousa, de Goianésia, recusou convite para disputar vaga federal e planeja candidatura a deputado estadual.
Para a vice, Marconi tem insistido no nome do empresário Jalles Fontoura, o Jalinho. A avaliação interna é que ele e o irmão Otavinho Lage ainda concentram prestígio econômico, apesar de o grupo ter perdido as últimas eleições municipais em Goianésia. Otavinho já recusou a proposta. Jalinho segue em análise.
Outras alternativas circulam no PSDB. O deputado estadual Gustavo Sebba, de Catalão, é citado, mas estaria focado na própria reeleição. Também se fala em repetir a chapa de 2014 com José Eliton, hoje cotado para disputar o governo em eventual aliança com o Partido dos Trabalhadores, de Adriana Accorsi e Rubens Otoni.
O nome da vereadora Aava Santiago, recém-anunciada na presidência do PSB em Goiás, também entrou no radar. Ela enfrenta entraves para montar chapa federal no novo partido e passou a ser cogitada tanto para vice quanto para o Senado. Nos bastidores, um suplente chegou a avaliar ação judicial para questionar sua saída do PSDB antes do prazo legal, mas recuou após ouvir que teria de enfrentar diretamente Marconi.
Na disputa ao Senado, Marconi conversou com o deputado Zacharias Calil, hoje rompido com a base do governador Ronaldo Caiado e do vice Daniel Vilela. Calil repete que será candidato a senador. Na base governista, a prioridade deve ser Gracinha Caiado e Gustavo Gayer, o que abriu espaço para diálogo com o PSDB.
Internamente, tucanos admitem limitações. “Sabemos que é fraco, que não tem apoio no interior, mas é importante retirar um político da base governista para a nossa chapa”, disse um dirigente, sob reserva. “Não temos alternativa.”
Ainda assim, o passe mais cobiçado é o do senador Vanderlan Cardoso. Vanderlan prefere disputar a reeleição ao Senado com apoio de Caiado e Vilela. Caso fique fora do palanque governista, a aliança com Marconi passa a ser considerada.
Com isso, o desenho em estudo no PSDB aponta para Marconi Perillo ao governo, Jalles Fontoura, Aava Santiago ou José Eliton na vice, e Zacharias Calil e Vanderlan Cardoso — ou Aava — ao Senado. Há quem fale em surpresa, como Aava na cabeça de chapa. No PSDB, porém, a avaliação é que Marconi não costuma abrir espaço. A dúvida é se, diante do risco de derrota já no primeiro turno, o tucano aceitará dividir o protagonismo.