27/01/26
Após a repercussão de reportagens que expuseram sua ligação com o Jockey Club de São Paulo, o ex-governador Marconi Perillo (PSDB) desistiu de disputar uma vaga no conselho do clube, hoje alvo de investigações e de uma CPI na Câmara Municipal paulistana.
A decisão foi confirmada pelo advogado do tucano, João Pina, e publicada pelo Jornal Opção. Segundo ele, Marconi havia sido eleito para um mandato de três anos e até reeleito por unanimidade, mas optou por não entrar na nova disputa marcada para 10 de fevereiro, após a anulação da eleição anterior por descumprimento do estatuto do clube.
A desistência ocorre em um momento simbólico. As reportagens evidenciaram o contraste entre o discurso de quem se coloca como alternativa para governar Goiás e a prática de manter vínculos e circular politicamente em São Paulo, em um ambiente frequentado por milionários e cercado por suspeitas envolvendo mais de R$ 80 milhões em incentivos fiscais.
O recuo evita um novo desgaste imediato, mas não apaga o histórico. O Jockey passou a simbolizar um foco de constrangimento político, e Marconi sentiu o peso da exposição. Em Goiás, o passado segue cobrando seu preço: após deixar o governo, ele chegou a ser preso sob suspeitas de corrupção, e sua imagem pública nunca se recompôs por completo.
Ao sair de cena no clube paulistano, Marconi tenta conter danos. A dúvida, porém, permanece: quem pretende governar Goiás vai, de fato, permanecer em Goiás — ou só aparecer quando convém?