04/02/26
A corrida pelo Palácio das Esmeraldas já começou a ser travada fora dos palanques e o tamanho das bancadas federais virou peça central na engenharia eleitoral de 2026, pois influencia diretamente o tempo de propaganda gratuita no rádio e na televisão. Pelas contas atuais da Câmara dos Deputados, o ex-governador Marconi Perillo (PSDB) pode ter menos tempo de exposição que a federação PSOL-Rede, evidenciando a desvantagem estrutural do tucanato na largada da disputa.
Hoje, o PSDB possui 14 deputados federais. Já a federação PSOL-Rede reúne 15 parlamentares. A diferença é mínima — apenas uma cadeira —, mas o critério é matemático e impacta o cálculo do tempo de TV, especialmente quando os partidos disputam a eleição com candidaturas próprias. Na prática, isso significa que, se os blocos forem mantidos como estão, Marconi largaria com menos segundos no horário eleitoral do que a federação à esquerda.
O contraste fica ainda mais evidente quando comparado a outros agrupamentos. A base política ligada ao vice-governador Daniel Vilela (MDB) reúne siglas que, somadas, podem alcançar representação equivalente a 363 deputados federais, ampliando significativamente o potencial de tempo de propaganda. A Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV) soma 80 parlamentares, enquanto PSB e Cidadania chegam a 20 e o PDT conta com 16.
A distribuição oficial do tempo depende das coligações e federações que serão formalizadas até o registro das candidaturas. Quando partidos se unem, as bancadas são somadas. Ainda assim, os números atuais funcionam como termômetro político e mostram que a disputa de 2026 não será decidida apenas no voto, mas também na aritmética partidária que define quem fala mais — e por quanto tempo — com o eleitor.