Goiânia, 10/02/2026
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Candidatura de Wilder ao governo pode afetar estratégia do PL em Goiás

08/02/26

O senador Wilder Morais (PL) mantém a disposição de disputar o governo de Goiás nas eleições deste ano. Com mandato até 2030, ele segue a lógica de que o político deve se manter em campanha para preservar protagonismo eleitoral. O direito de concorrer não é questionado. O debate ocorre em torno dos efeitos da decisão sobre o próprio partido.

Levantamentos de intenção de voto colocam Wilder atrás do vice-governador Daniel Vilela (MDB) e do ex-governador Marconi Perillo (PSDB). Há ainda a possibilidade de o candidato do PT superar o senador na corrida ao Palácio das Esmeraldas.

Nos bastidores, integrantes do PL avaliam que o foco da legenda deveria estar na eleição ao Senado e na formação de bancadas. O deputado federal Gustavo Gayer (PL) aparece bem posicionado nas pesquisas e figura entre os principais nomes na disputa pela vaga. Hoje, ele aparece atrás apenas de Gracinha Caiado (União Brasil) e à frente do senador Vanderlan Cardoso (PSD).

Parlamentares do PL, como Magda Mofatto e Daniel Agrobom, além do próprio Gayer, manifestam apoio à pré-candidatura de Daniel Vilela ao governo. Prefeitos do partido também tendem a acompanhar essa orientação.

A avaliação de aliados é que uma candidatura isolada de Wilder Morais pode enfraquecer o desempenho do partido na disputa ao Senado. O cálculo político considera que uma chapa alinhada ao governador Ronaldo Caiado (União Brasil), com Daniel Vilela ao governo e Gustavo Gayer ao Senado, ampliaria as chances eleitorais do PL.

Em 2024, na eleição municipal em Goiânia, o candidato do PL venceu o primeiro turno, mas foi derrotado no segundo turno, em cenário marcado pela mobilização da base estadual. Em 2018, Jorge Kajuru liderava projeções para o Senado, mas terminou em segundo lugar, atrás de Vanderlan Cardoso, em disputa marcada pela força do voto evangélico.

A influência desse segmento também entra no cálculo para 2026. Vanderlan mantém presença nesse eleitorado e pode disputar como nome da base governista. A fragmentação de candidaturas no campo da direita pode alterar o resultado.

No plano nacional, interlocutores citam que o ex-presidente Jair Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro priorizam a formação de um Senado fortalecido. A estratégia passaria por garantir a eleição de Gustavo Gayer, em vez de dividir forças em múltiplas candidaturas.

Com cerca de 5,1 milhões de eleitores, Goiás ocupa papel relevante no cenário presidencial. Em 2022, a diferença nacional entre Lula e Jair Bolsonaro foi de pouco mais de 2 milhões de votos. O desempenho no estado pode influenciar o quadro nacional.

O movimento de Wilder Morais, portanto, insere o PL em um dilema estratégico: manter candidatura própria ao governo ou integrar uma aliança mais ampla para concentrar esforços na disputa ao Senado e nas bancadas legislativas.


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