Goiânia, 11/02/2026
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Mabel precisa se livrar de pautas negativas criadas por ele mesmo

11/02/26

A gestão do prefeito de Goiânia, Sandro Mabel (UB), enfrenta um paradoxo político que ameaça ofuscar avanços administrativos: em vez de neutralizar conflitos, a administração acaba alimentando pautas negativas que nascem dentro do próprio governo e se tornam foco do debate público.

Um dos episódios recentes foi o anúncio de um repasse de R$ 6 milhões a clubes de futebol da capital — Atlético Goianiense, Goiás e Vila Nova — em um pacote de patrocínio para a temporada, mesmo em um cenário no qual o município ainda declarou situação de calamidade financeira e discute limitações orçamentárias. A iniciativa, defendida pela Prefeitura como incentivo ao esporte e ao turismo esportivo, gerou reação entre segmentos que cobram maior atenção a prioridades básicas da cidade antes de alocação de recursos públicos neste tipo de ação.

Outro ponto que tem gerado atrito com o Legislativo e intensificado o desgaste político é a discussão sobre destinação de recursos orçamentários para vereadores e para emendas impositivas. Parlamentares têm cobrado do prefeito o pagamento de emendas impositivas — com o valor total previsto por parlamentar superior ao que vinha sendo utilizado — e ajustes na Lei Orçamentária que garantam espaço para essa agenda.

Além disso, o programa Obras Cidadãs, resultado de um acordo político entre o prefeito e vereadores de Goiânia, prevê a execução de pequenas intervenções urbanas em “pacotes fechados”, com teto de até R$ 70 mil mensais por parlamentar, indicadas diretamente por vereadores. Na prática, o modelo associa a liberação de recursos à sustentação da base do Executivo na Câmara, o que alimenta críticas sobre uso político do orçamento e reforça a percepção de que a gestão cria desgastes desnecessários em um momento em que a Prefeitura afirma enfrentar restrições financeiras.

Somado a isso, a gestão tenta enfatizar melhorias na limpeza urbana e manutenção de vias públicas, mas essa narrativa ainda não se concretiza na percepção de muitos moradores. Em bairros de diferentes regiões de Goiânia, há relatos persistentes de mato alto nas vias públicas, falta de varrição regular e serviços de tapa-buracos insuficientes, contrapondo a comunicação oficial. Problemas básicos de infraestrutura urbana tendem a impactar mais diretamente a vida cotidiana da população e, quando não são resolvidos com rapidez, se transformam em símbolos de ineficiência administrativa.

O conjunto dessas pautas negativas — repasses polêmicos, conflitos com vereadores e a sensação de que serviços essenciais ainda carecem de respostas efetivas — tem colocado o prefeito em uma posição em que é cada vez mais urgente reordenar prioridades e estratégias comunicacionais. Mabel precisa se desvincular de controvérsias geradas internamente e realinhar a gestão à percepção das necessidades dos goianienses, sob pena de reduzir o espaço político para avançar sua agenda de governo nos próximos anos.


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