26/02/26
A Justiça da Paraíba condenou o padre Egídio de Carvalho Neto a 5 anos, 6 meses e 20 dias de prisão, em regime semiaberto, além da obrigação de ressarcir mais de R$ 500 mil após o furto de centenas de eletrônicos destinados ao Hospital Padre Zé, em João Pessoa. A decisão integra a primeira sentença entre as ações penais que investigam supostos desvios de recursos na instituição filantrópica.
Segundo a denúncia do Ministério Público da Paraíba, o religioso — que era diretor da unidade hospitalar — teria participado do desvio de 676 aparelhos eletrônicos, entre celulares e outros itens, avaliados em cerca de R$ 525 mil. Os equipamentos haviam sido doados pela Receita Federal para ajudar no atendimento da população atendida pelo hospital.
As investigações apontam que as mercadorias chegaram ao hospital em 2023, mas parte das caixas foi encontrada vazia durante a conferência dos produtos. A apuração também identificou falhas no sistema de monitoramento no período do desaparecimento dos itens. Além do padre, um ex-chefe do setor de tecnologia da informação também foi condenado no processo.
Na sentença, a Justiça determinou que os condenados devolvam R$ 525.877,77 ao Instituto São José, mantenedor do Hospital Padre Zé, e à Arquidiocese da Paraíba, valor que deverá ser corrigido monetariamente. O caso está ligado a uma investigação mais ampla, que apura suposto esquema de desvio de recursos e outras irregularidades na gestão da instituição.
O padre Egídio foi preso em 2023 durante a Operação Indignus e atualmente cumpre prisão domiciliar por questões de saúde. As defesas dos condenados afirmaram que irão recorrer da decisão, alegando inocência. A condenação é a primeira entre diversas ações judiciais relacionadas ao caso, que segue em andamento na Justiça paraibana.