Goiânia, 03/03/2026
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Bolsonaro recebeu 36 visitas em 39 dias na Papudinha, diz documento

03/03/26

Um relatório da direção do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, a Papudinha, registrou que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) recebeu 144 atendimentos médicos entre 15 de janeiro e 22 de fevereiro de 2026, período de 39 dias em que cumpre pena no presídio após condenação no processo sobre a tentativa de golpe de 2022. Os dados também apontam 36 visitas de terceiros — entre deputados, senadores, governadores e aliados — que embasaram a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de negar o pedido de prisão domiciliar humanitária.

O documento, anexado ao processo de execução penal, indica que Bolsonaro teve uma média de quase quatro atendimentos médicos por dia, além de registrar 33 sessões de atividades físicas, caminhadas e 13 sessões de fisioterapia com profissional particular. Também foram contabilizados atendimentos de advogados em 29 dias e assistência religiosa em quatro ocasiões.

A perícia médica reconheceu que o ex-presidente é portador de doenças crônicas, como hipertensão, apneia grave do sono, obesidade, aterosclerose e refluxo gastroesofágico, mas afirmou que essas condições estão sob controle clínico e medicamentoso, não justificando, no momento, transferência para cuidados hospitalares.

O relatório descreve também a rotina dele na unidade: Bolsonaro costuma dormir por volta das 22h, acordar cedo e dedicar as manhãs à leitura — atividade autorizada como forma de remição de pena —, além de realizar caminhadas de cerca de um quilômetro na área comum do batalhão.

Ao negar o pedido de prisão domiciliar, Moraes afirmou que a concessão dessa medida humanitária exige comprovação de que o tratamento médico necessário não possa ser oferecido no ambiente prisional — condição que, segundo o laudo, não foi demonstrada no caso.


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