Goiânia, 05/04/2026
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Base governista lidera disputa em Goiás e deve sair fortalecida após janela partidária

05/04/26

A disputa política em Goiás se organiza hoje em torno de quatro blocos principais, com destaque para a base governista liderada pelo ex-governador Ronaldo Caiado e pelo governador Daniel Vilela. O grupo reúne MDB, federação União Brasil/PP, PSD e PRD/Solidariedade. Fora desse eixo, aparecem o PSDB, sob liderança de Marconi Perillo; o PL, comandado pelo senador Wilder Morais; e o PT, presidido por Adriana Accorsi.

A janela partidária de 2026, aberta em 5 de março e encerrada em 3 de abril, permitiu a troca de legenda sem perda de mandato para deputados. O mecanismo, criado após o Tribunal Superior Eleitoral instituir a fidelidade partidária em 2007, vale apenas para cargos proporcionais.

A base aliada ao governo ampliou presença no Estado. No lançamento da pré-candidatura de Daniel Vilela, em Jaraguá, mais de 200 prefeitos declararam apoio, número que alcança 223 municípios. A articulação indica capilaridade do grupo, que reúne cerca de 90% dos prefeitos goianos e atrai lideranças de diferentes partidos.

O PL, por outro lado, registra perdas. Dos 26 prefeitos eleitos pela sigla em 2024, 14 migraram para a base governista e outros dois negociam saída. Pelo menos três já decidiram filiação ao MDB. Na Câmara Federal, a bancada encolheu após mudanças partidárias e pode perder mais um integrante.

O MDB ampliou sua estrutura com novas filiações e adesões de prefeitos. Entre os nomes que ingressaram na sigla estão o deputado federal Zacharias Calil e a deputada Flávia Morais. Também retornou ao partido o deputado estadual Paulo Cezar Martins. Prefeitos como Tiago Japiassú, Rodrigo Fonseca e Jerônymo Siqueira deixaram o PL e passaram a apoiar diretamente o grupo governista.

Mesmo gestores ainda filiados ao PL já manifestaram apoio político a Daniel Vilela, como Márcio Corrêa, Carlinhos do Mangão, Dr. Luis Otávio e Simone Ribeiro. O movimento reforça a tendência de alinhamento com o governo estadual.

O PSD também avançou com a filiação de Ronaldo Caiado, articulada por Gilberto Kassab, e com a chegada de nomes como José Mário Schreiner, Luiz do Carmo, Fátima Gavioli, Pedro Sales e o deputado federal Daniel Agrobom.

O PSDB tenta recompor espaço político com novas filiações, incluindo Clécio Alves, Jeferson Rodrigues e Professor Alcides, além de Vilmar Mariano e outros quadros. Internamente, há avaliação de dificuldade na formação de uma base competitiva, com apoio concentrado em ex-prefeitos.

No PL, a principal movimentação foi a filiação de Ana Paula Rezende, cotada para compor chapa com Wilder Morais. Apesar disso, o partido enfrenta dificuldades diante da saída de lideranças e da redução de sua base municipal.

O PT ainda não definiu candidatura ao governo e monitora o impacto das mudanças. Segundo o ex-deputado Luis Cesar Bueno, “ainda não há definição clara sobre o impacto das movimentações, mas a tendência é de enfraquecimento no estado”.

Na Assembleia Legislativa, a base governista reúne ao menos 25 dos 41 deputados. Na Câmara Federal, mantém maioria e perspectiva de continuidade. O cenário indica consolidação do grupo liderado por Caiado e Daniel Vilela, com oposição fragmentada.


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