05/04/26
O ex-governador Marconi Perillo chega ao cenário eleitoral de 2026 sem o discurso que o levou ao poder em 1998. Naquele ano, aos 35 anos, apresentou-se como alternativa ao então governador Iris Rezende e venceu com apoio de uma frente política que reuniu lideranças influentes no Estado.
Entre os nomes que sustentaram a campanha estavam Henrique Santillo, Mauro Borges, Nion Albernaz, Otávio Lage, Jalles Fontoura e Ronaldo Caiado. A articulação garantiu capilaridade política e sustentação eleitoral, fator apontado como decisivo para a vitória.
Ao longo de quatro mandatos, Marconi manteve influência no Estado, mas o cenário atual indica mudança. Pesquisas de intenção de voto mostram o tucano com índices entre 20% e 24%, patamar considerado baixo para quem governou Goiás por 16 anos. A rejeição aparece como obstáculo central à sua candidatura.
Na avaliação apresentada, a atual composição política do ex-governador não repete o padrão de alianças de 1998. Entre os nomes que hoje orbitam sua pré-campanha estão Flávia Telles, Edson Automóveis, Clécio Alves e Professor Alcides Ribeiro. Nos bastidores, o grupo é chamado de “exército de Brancaleone”, expressão usada para caracterizar articulações com baixa coesão política.
Há aliados que reconhecem dificuldades na formação de uma chapa competitiva. Um integrante do partido afirmou ao Jornal Opção: “Nós tentamos de tudo para pegar ‘sobras’ de peso, como Zacharias Calil e Vanderlan Cardoso. Porém, como não deu certo, tivemos de nos contentar com Professor Alcides, Flávia Telles, Gugu “Obelix” Nader e Clécio Alves. Frise-se que, ao acolher a filiação de Flávia Telles, ainda não sabíamos do rumoroso processo judicial movido por sua filha, Anna Liz. Agora é tarde. Temos de ficar com o que sobrou, que, de fato, não é grande coisa”.
Outro ponto destacado é a dificuldade de Marconi em sustentar o discurso de renovação. Após permanecer 16 anos no governo, a narrativa perde força diante do eleitorado. A crítica também alcança a condução interna do PSDB, onde aliados históricos não tiveram espaço para disputar o Executivo estadual.
Nomes como Giuseppe Vecci, Leonardo Vilela, Raquel Teixeira, Thiago Peixoto e José Paulo Loureiro atuaram em gestões do tucano, mas não avançaram como candidatos ao governo. A ausência de renovação interna é apontada como fator que limita a oxigenação do partido.
A saída da vereadora Aava Santiago do PSDB também é interpretada dentro desse contexto. Segundo a análise, a parlamentar deixou a sigla em busca de espaço político, diante da dificuldade de crescimento dentro da estrutura partidária.
No cenário atual, o discurso de renovação aparece mais associado ao governador Daniel Vilela e ao senador Wilder Morais, ambos pré-candidatos ao governo. Já Marconi Perillo mantém foco em sua trajetória passada, com menor ênfase em propostas futuras. A avaliação conclui que o ex-governador enfrenta dificuldades para reconstruir uma base política competitiva e para reposicionar sua imagem diante do eleitorado.