11/04/26
A divulgação de documentos da Receita Federal que apontam repasses de R$ 14,5 milhões do Banco Master ao ex-governador Marconi Perillo (PSDB) provocou repercussão no cenário político goiano e expôs o silêncio de lideranças tucanas no estado. Até o momento, nenhum filiado do PSDB em Goiás se pronunciou publicamente em defesa do ex-governador sobre o caso.
Pré-candidato ao governo de Goiás, Marconi aparece na relação enviada à CPI do Crime Organizado como beneficiário de pagamentos feitos entre 2022 e 2025, por meio da empresa MV Projetos e Consultoria. Segundo os documentos, os valores estariam ligados à prestação de serviços de consultoria ao banco controlado por Daniel Vorcaro.
Em nota, a assessoria de Marconi afirmou que o ex-governador está afastado da vida pública há mais de oito anos e atuou na iniciativa privada “de forma lícita, transparente e com dignidade como consultor de algumas empresas”. A defesa acrescenta que o contrato com o Banco Master foi encerrado em julho de 2025 e sustenta que os serviços prestados envolveram análises de cenários econômicos e institucionais.
Apesar da repercussão, lideranças do PSDB goiano evitaram comentar o caso, adotando postura de distanciamento. O silêncio contrasta com o impacto político do episódio, que atinge um dos principais nomes da oposição no estado em período pré-eleitoral.
Além de Marconi, outro goiano citado nos documentos é Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central e ex-ministro da Fazenda, que teria recebido R$ 18,5 milhões em consultorias ao Banco Master. Meirelles também informou que o contrato foi encerrado no ano passado.
O nome de Marconi já havia aparecido em outra apuração recente, divulgada pelo UOL, segundo a qual empresas ligadas a familiares do ex-governador teriam recebido R$ 83,6 milhões em incentivos fiscais destinados ao Jockey Club de São Paulo, instituição que ele presidia à época. O caso também é alvo de questionamentos.