13/04/26
O ex-governador Marconi Perillo (PSDB) volta ao centro de uma nova crise política após a revelação de que sua empresa recebeu R$ 14,5 milhões do Banco Master entre 2022 e 2025. Os pagamentos, identificados em documentos enviados pela Receita Federal à CPI do Crime Organizado, colocam o tucano novamente sob questionamentos em meio à tentativa de viabilizar sua candidatura ao governo estadual.
Segundo os registros, os valores foram repassados à empresa MV Projetos e Consultoria, ligada ao ex-governador, sob a justificativa de prestação de serviços. No entanto, a ausência de detalhamento sobre as atividades realizadas e o volume expressivo dos pagamentos levantaram dúvidas dentro da própria investigação parlamentar.
O episódio se soma a uma longa lista de escândalos que acompanham a trajetória política de Marconi. Durante seus mandatos, o tucano já teve o nome associado a investigações e crises, como o escândalo envolvendo o bicheiro Carlinhos Cachoeira e suspeitas de relações com empresas investigadas, além de denúncias de favorecimentos e episódios de desgaste administrativo.
Esse histórico de desgaste tende a pesar ainda mais em um cenário eleitoral desafiador. Sem ocupar cargo público há anos, Marconi perdeu capilaridade política no interior do estado, onde prefeitos e lideranças locais passaram a se alinhar a outros grupos. A dificuldade de reconstruir uma base eleitoral robusta nos municípios aparece como um dos principais entraves para uma candidatura competitiva.
Outro fator que fragiliza o projeto eleitoral do tucano é o tempo reduzido de televisão em uma eventual disputa. Com um partido menor em Goiás e sem alianças consolidadas, Marconi deve ter pouco espaço na propaganda eleitoral, o que limita sua capacidade de reverter rejeição e reconstruir imagem junto ao eleitorado.
Diante desse cenário, o novo escândalo financeiro amplia a pressão sobre o ex-governador e reforça dúvidas dentro do próprio meio político sobre sua viabilidade eleitoral. Entre desgaste acumulado, dificuldades de articulação e exposição negativa, cresce a avaliação de que Marconi pode não conseguir sequer consolidar sua candidatura ao governo de Goiás em 2026.