Goiânia, 18/05/2026
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Crise de Flávio Bolsonaro pode implodir projeto eleitoral de Wilder

18/05/26

O senador Wilder Morais (PL) conseguiu transformar a pré-campanha ao Governo de Goiás num raro caso de candidatura que se enfraquece sem sequer entrar em campo. Apostou todas as fichas em permanecer imóvel até outubro, aguardando uma eventual onda bolsonarista que o carregasse artificialmente ao segundo turno. Mas a maré virou antes do previsto. O desgaste do senador Flávio Bolsonaro (PL), hoje envolvido politicamente no escândalo em torno do banqueiro Daniel Vorcaro, atingiu em cheio o único apoio nacional minimamente relevante de Wilder. E o senador goiano ficou sem discurso, sem rumo e sem palanque.

Dentro do PL goiano, o cenário é de esvaziamento. Prefeitos abandonaram a legenda nos últimos meses, enquanto lideranças remanescentes evitam associar suas imagens à pré-candidatura do senador. Nem mesmo o prefeito de Anápolis, Márcio Corrêa (PL), principal líder municipal do partido no estado, demonstra qualquer entusiasmo com Wilder. Pelo contrário: os sinais de aproximação com o governador Daniel Vilela (MDB) se tornaram públicos e frequentes. Já o deputado federal Gustavo Gayer, principal rosto do bolsonarismo goiano, nunca escondeu a resistência ao nome de Wilder e trabalha muito mais para viabilizar seu próprio projeto ao Senado do que para fortalecer o colega de partido.

O problema de Wilder, porém, vai além da falta de aliados. O senador enfrenta crescente rejeição dentro da própria base bolsonarista por adotar uma postura marcada pela omissão em votações sensíveis no Senado. O episódio envolvendo a indicação de Jorge Messias ao STF cristalizou essa desconfiança: Wilder desapareceu no momento da votação, evitou se posicionar publicamente e depois reapareceu celebrando o resultado do qual tentou fugir politicamente. A cena foi recebida como covardia por setores da direita que exigem confronto permanente com o governo Lula.

Agora, pressionado pela militância, Wilder tenta correr atrás do prejuízo se expondo publicamente em defesa de Flávio Bolsonaro. A movimentação, além de tardia, carrega alto risco político. Ao se vincular a um escândalo que já provoca desgaste nacional, o senador pode acabar rompendo também com o eleitor moderado, ampliando ainda mais seu isolamento eleitoral.

Sem capital político próprio, Wilder ainda tenta sustentar sua chapa na figura de Ana Paula Rezende (PL), escolhida como pré-candidata a vice-governadora. A estratégia, porém, parece ancorada mais na memória afetiva do ex-prefeito Iris Rezende (MDB) do que em qualquer densidade política concreta da filha. O problema é que a eleição de 2026 não será disputada no passado. E herança política sem protagonismo raramente sobrevive sozinha nas urnas.

Enquanto isso, o grupo governista segue ocupando espaço, reunindo prefeitos, ampliando alianças e se apoiando no legado do ex-governador Ronaldo Caiado (PSD), hoje o principal cabo eleitoral do estado. Wilder, por outro lado, continua patinando nas pesquisas, sem conseguir consolidar base, narrativa ou musculatura política para enfrentar uma máquina governista consolidada. No ritmo atual, sua pré-candidatura corre o risco de chegar ao período eleitoral já derrotada politicamente antes mesmo do início oficial da campanha.


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