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Preso em operação, Zander Fábio movimentou R$ 30 mi na Cultura de Goiânia

30/05/26

A prisão do ex-secretário municipal de Cultura de Goiânia Zander Fábio na Operação Cultura Em(Cena), mostra os números da gestão da pasta nos últimos anos. Entre 2021 e 2024, período em que ele permaneceu à frente da Secretaria Municipal de Cultura (Secult) durante a maior parte do tempo, o órgão registrou cerca de R$ 30 milhões em despesas empenhadas e recebeu quase R$ 21 milhões em indicações de emendas parlamentares municipais.

Dados do Sistema de Informações Contábeis e Fiscais do Setor Público Brasileiro (Siconfi), vinculado ao Ministério da Fazenda, mostram que a despesa empenhada da Secult alcançou R$ 8,7 milhões em 2021. No ano seguinte, o valor saltou para R$ 12,7 milhões. Em 2023, os gastos somaram R$ 7,2 milhões, enquanto em 2024, já em meio ao cenário de dificuldades financeiras enfrentado pela gestão municipal, foram registrados R$ 5,4 milhões em despesas empenhadas.

Além do orçamento próprio, a cultura se tornou uma das áreas mais contempladas pelas emendas impositivas dos vereadores de Goiânia. Somente entre 2023 e 2024, foram indicados R$ 20,9 milhões para ações ligadas à pasta. Em 2023, a Secult recebeu R$ 10,47 milhões distribuídos em 63 indicações parlamentares. No ano seguinte, o montante chegou a R$ 10,49 milhões, por meio de 67 emendas.

Os números colocaram a cultura entre os setores que mais receberam recursos indicados pela Câmara Municipal. Em 2024, a área ficou atrás apenas de Saúde, Esporte e Assistência Social no ranking de destinação de emendas. Naquele ano, os vereadores passaram a indicar até 2% da receita corrente líquida do município, percentual superior aos 1,2% praticados anteriormente, o que ampliou significativamente o volume de recursos sob influência parlamentar.

Apesar da relevância dos valores destinados ao setor, ainda há dúvidas sobre a execução desses recursos. Questionada sobre quais emendas foram efetivamente executadas, quais projetos receberam os recursos e se todas as prestações de contas foram aprovadas, a Secretaria Municipal de Cultura não apresentou resposta. Também não há, atualmente, informações detalhadas disponíveis no Portal da Transparência da Prefeitura que permitam acompanhar a destinação dos pagamentos relacionados às emendas impositivas.

A investigação que levou à prisão temporária de Zander Fábio apura supostos desvios de recursos em contratos firmados pela Secult nos anos de 2023 e 2024. Segundo informações já divulgadas sobre o inquérito, a Polícia Civil sustenta que o então secretário mantinha influência direta sobre a destinação dos recursos investigados. Outros dois dirigentes de entidades contratadas pela pasta também foram presos na operação.

Em nota ao jornal O Popular, a atual gestão da Secretaria de Cultura destacou que os fatos investigados são referentes à administração anterior. A pasta informou ainda que está colaborando com os órgãos de controle, respondendo aos questionamentos apresentados pelo Ministério Público e colocando-se à disposição para prestar esclarecimentos às autoridades responsáveis pela apuração.

A passagem de Zander Fábio pela administração municipal começou em abril de 2021, quando assumiu a Secretaria de Cultura na gestão do ex-prefeito Rogério Cruz. Ele deixou o cargo em abril de 2024 para disputar as eleições municipais, retornando ao Executivo meses depois. Em 2026, voltou à Câmara de Goiânia como suplente, mas permaneceu no cargo por pouco mais de 40 dias até a deflagração da operação policial.

O episódio se soma a uma sequência de investigações envolvendo o ex-secretário. Em julho de 2025, ele já havia sido alvo de busca e apreensão na Operação Picadeiro, que apurava suspeitas de irregularidades na aplicação de emendas parlamentares e repasses a organizações sociais. Na ocasião, a investigação apontou que cerca de R$ 1,8 milhão teria sido transferido sem o cumprimento de exigências consideradas básicas pelos órgãos de controle.


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