10/06/26
A Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) articula uma estratégia para garantir a proteção do deputado estadual Amauri Ribeiro (PL) e impedir o avanço da ação por violência política de gênero que tramita contra o parlamentar no Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO). A saída encontrada pelos deputados é aprovar uma punição interna no Conselho de Ética e, em seguida, votar a suspensão do processo judicial.
A operação foi discutida pelo presidente da Casa, Bruno Peixoto (UB), e pelo presidente do Conselho de Ética, Charles Bento (MDB), em reunião realizada antes da sessão desta terça-feira (9). A intenção é criar um ambiente político favorável para aprovar o decreto legislativo apresentado por Lincoln Tejota (UB), que susta a tramitação da ação contra Amauri no TRE-GO.
O argumento adotado pela maioria dos parlamentares é que as declarações atribuídas a Amauri ocorreram no exercício do mandato e, por isso, deveriam ser tratadas exclusivamente no âmbito interno da Assembleia. Com essa justificativa, a Casa busca assumir o julgamento do caso e retirar da Justiça Eleitoral a condução do processo.
A estratégia prevê que o Conselho de Ética aplique uma sanção ao deputado, provavelmente a suspensão de algumas prerrogativas parlamentares por 30 dias, incluindo o uso da tribuna. A medida serviria como uma espécie de resposta institucional para justificar a posterior aprovação da blindagem política ao parlamentar no plenário.
Nos bastidores, deputados admitem que o objetivo é demonstrar que a Alego tem condições de punir seus membros sem a necessidade de intervenção do Judiciário. A expectativa é que as punições sejam aprovadas pelo Conselho de Ética nesta quarta-feira (10) e rapidamente referendadas pelo plenário, abrindo caminho para a votação do decreto que beneficia Amauri já na quinta-feira (11).
Amauri responde a uma ação no TRE-GO após denúncia do Ministério Público Eleitoral, que o acusa de praticar violência política de gênero contra a deputada Bia de Lima (PT) em diversas manifestações públicas. Apesar da gravidade das acusações, a maioria dos parlamentares tem se mobilizado para garantir que o caso permaneça sob controle da própria Assembleia, numa articulação que, na prática, busca proteger o deputado dos desdobramentos na Justiça Eleitoral.