21/06/26
O promotor de Justiça goiano Carlos Vinícius Alves Ribeiro tomará posse como conselheiro do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) no próximo dia 7 de agosto, em Brasília. Atual secretário-geral do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), ele ocupará uma das cadeiras destinadas ao Ministério Público no órgão responsável pelo controle administrativo e financeiro do Poder Judiciário brasileiro. A cerimônia está marcada para as 16h, no plenário do CNJ, com transmissão ao vivo pelo canal oficial da instituição.
Natural de Goiás, Carlos Vinícius iniciou a carreira no Ministério Público em 2004 e teve sua primeira atuação na comarca de Estrela do Norte, no Norte goiano, onde permaneceu por mais de três anos. “Não consigo vislumbrar algum momento em que pessoalmente tivesse percebido a possibilidade de se alcançar o cargo de Conselheiro Nacional de Justiça”, afirmou em entrevista ao Jornal Opção. Segundo ele, a trajetória construída ao longo dos anos e a experiência acumulada no CNMP contribuíram para a oportunidade de integrar o conselho.
Carlos Vinícius é graduado em Direito pela Universidade Federal de Goiás (UFG), possui doutorado em Direito Administrativo pela Universidade de São Paulo (USP) e atualmente é titular da 12ª Promotoria de Justiça de Aparecida de Goiânia. Desde 2022, exerce a função de secretário-geral do CNMP. Além da atuação institucional, mantém vínculo com a área acadêmica. Atualmente é professor do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), em Brasília, e já lecionou em instituições como a UFG, a Universidade Estadual de Goiás (UEG) e a Fundação Escola Superior do Ministério Público.
A indicação para o CNJ foi feita pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, seguindo o rito previsto para a escolha dos representantes do Ministério Público. O nome de Carlos Vinícius passou por sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal e foi aprovado pela Casa em agosto de 2025.
Durante a sabatina, ele destacou alguns dos desafios que pretende enfrentar no novo cargo. “Enfrentar a litigiosidade endêmica, que é um grande problema no nosso país, estimular o aprimoramento da qualidade das decisões, estimular o uso de tecnologia para desonerar o magistrado de outras atividades colaterais e deixá-lo responsável por sentenciar. Um compromisso que assumo é de tentar garantir e aumentar a confiança da população no sistema de Justiça”, afirmou.
Ao comentar os questionamentos dirigidos às instituições públicas nos últimos anos, o promotor defendeu a atuação dos integrantes do sistema de Justiça. “Em uma quadra da história brasileira tão marcada pela propagação e difusão do descrédito na Justiça, o que posso assegurar é que, majoritariamente, o Sistema de Justiça é composto por pessoas preparadas, sérias, íntegras e que dedicam uma vida de estudo e abnegação para prestar justiça a quem precisa. Portanto, confiem na Justiça brasileira”, declarou.
Ao refletir sobre sua trajetória, Carlos Vinícius afirmou que nunca estabeleceu um objetivo específico de carreira, mas sempre buscou aprendizado e novos desafios. “Eu nunca imaginei um destino. Nunca objetivei algo específico, mas sou abastecido por uma curiosidade e uma vontade constante de aprender e melhorar. Não fujo de trabalho nem de desafios. O resto são os desígnios de Deus, é o mistério da vida”, concluiu.