04/07/26
A presidente estadual do PSOL em Goiás e pré-candidata ao Governo de Goiás, Cíntia Dias, afirmou que está disposta a retirar seu nome da disputa para viabilizar uma candidatura única do campo progressista nas eleições de 2026. Em entrevista ao Jornal Opção, a dirigente defendeu a construção de uma frente ampla entre partidos de esquerda e centro-esquerda para enfrentar o governador Daniel Vilela (MDB), o ex-governador Marconi Perillo (PSDB) e o projeto eleitoral do PL.
Segundo Cíntia, o momento exige unidade entre legendas como PT, PSOL, Rede, PCdoB, PV, PSB e PDT. Embora reconheça que as negociações ainda avançam de forma lenta, ela avalia que o cenário oferece uma oportunidade para reorganizar o campo progressista em Goiás. "Por mais assustador que pareça, é um momento favorável, porque a única alternativa que se apresenta de progressista tem tentado, pelo menos, caminhar junto", afirmou. Para a dirigente, desde 2002 não havia uma articulação semelhante em torno de uma candidatura própria da esquerda no Estado.
Apesar de ter sido lançada pelo PSOL como pré-candidata ao Palácio das Esmeraldas, Cíntia afirmou que a prioridade do partido é a construção de um projeto coletivo. Ela disse que aceitaria abrir mão da disputa para fortalecer uma candidatura unificada, inclusive se isso significar apoiar outro nome. "Estou disposta, mesmo com uma pontuação maior do que a do Luiz César, a recuar para garantir que a gente apresente a unidade, que a gente apresente um campo unitário", declarou, em referência ao ex-deputado estadual Luiz César Bueno, nome apresentado pelo PT para disputar o governo.
A dirigente também reconheceu divergências dentro da própria esquerda sobre a estratégia eleitoral. Parte da militância do PSOL defende candidatura própria diante do desempenho inicial de Luiz César Bueno nas pesquisas, mas Cíntia avalia que o momento ainda é de construção política. Segundo ela, há espaço para atrair eleitores que hoje apoiam candidaturas de centro ou de direita por falta de uma alternativa consolidada no campo progressista.
Como exemplo, Cíntia citou parte do eleitorado que atualmente declara voto em Marconi Perillo. Na avaliação dela, esse apoio não representa necessariamente identificação com o ex-governador, mas uma forma de oposição ao grupo político liderado por Ronaldo Caiado e Daniel Vilela. "Tem muita gente na sociedade que, por exemplo, está votando hoje no Marconi para derrotar o caiadismo do Daniel. Então, se a gente entrega uma proposta de frente ampla, consolidada, com a mesma narrativa e o mesmo discurso, eu tendo a apostar que a gente pode chegar a um resultado melhor", afirmou.
Ao analisar o cenário político, a presidente do PSOL reconheceu que a esquerda perdeu espaço nos últimos anos por falta de articulação e presença no debate público. Para ela, esse processo dificultou a construção de uma alternativa competitiva antes do período eleitoral. "O nosso maior problema é a falta de espaço que a gente não ocupou. E isso é culpa do campo progressista, não é de outro lugar. O campo progressista, nos últimos dois anos, se ajoelhou, ficou quieto, não avançou. Então, para recomeçar, a gente precisa fazer isso juntos", declarou.
Cíntia também alertou para o risco de o campo progressista ficar novamente fora do segundo turno caso não consiga unificar forças. Segundo ela, o cenário atual reúne Daniel Vilela na defesa da continuidade administrativa, Marconi Perillo como alternativa de oposição e o PL em busca de manter o espaço conquistado pelo bolsonarismo em Goiás. Na avaliação da dirigente, a esquerda precisa evitar a repetição do que ocorreu na eleição municipal de Goiânia em 2024, quando a disputa final ficou entre Sandro Mabel e Fred Rodrigues, deixando a deputada federal Adriana Accorsi (PT) fora do segundo turno.
Apesar dos desafios, Cíntia afirmou acreditar que existe espaço eleitoral para uma candidatura progressista. Ela citou o desempenho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Goiás no segundo turno da eleição presidencial de 2022, quando recebeu mais de 1,5 milhão de votos, o equivalente a 41,29% dos votos válidos. Para a dirigente, o resultado demonstra que o campo progressista possui uma base eleitoral que pode ser ampliada caso consiga apresentar um projeto unificado.