19/07/26
A Justiça de Goiás manteve a prisão preventiva do piloto Henrique Donizeti Ferri, de 32 anos, suspeito de transportar cerca de 340 quilos de cocaína em um avião que fez um pouso forçado e foi incendiado em uma fazenda de Itarumã, no sudoeste goiano. A decisão foi tomada durante audiência de custódia realizada na sexta-feira (17) e divulgada pelo Ministério Público de Goiás (MPGO).
Segundo o MPGO, a prisão preventiva foi decretada com base em indícios de participação do investigado em uma organização criminosa voltada ao tráfico interestadual de drogas, além da avaliação de que há risco de reiteração criminosa e possibilidade de fuga. O caso segue sob investigação das autoridades.
A defesa do piloto informou que pretende recorrer da decisão por meio de um pedido de habeas corpus. Em declaração divulgada ao jornal O Popular, o advogado Luís Henrique Viana afirmou que o cliente não possui antecedentes criminais, tem residência fixa e exerce atividade lícita. Segundo ele, Henrique seria enquadrado na condição conhecida na doutrina jurídica como "mula do tráfico", situação que, conforme sustentou, já motivou decisões favoráveis em tribunais superiores.
"A gente entende que as circunstâncias pessoais e judiciais do nosso cliente são favoráveis. Ele não registra qualquer antecedente criminal, é pessoa trabalhadora, sem antecedentes, pessoa com residência fixa, remuneração lícita. A figura da qual ele está sendo acusado é o que é denominado na doutrina como a 'mula do tráfico'. E a 'mula do tráfico' nos tribunais superiores tem conseguido alguns benefícios exatamente por essa questão de não serem pessoas dedicadas à atividade criminosa, não serem pessoas que participam de organizações criminosas", afirmou.
As investigações apontam que o piloto conduzia um monomotor que realizou um pouso forçado na manhã de quarta-feira (15). Após a aterrissagem, a aeronave foi incendiada. Um caseiro da propriedade rural onde ocorreu o incidente acionou o Batalhão Rural da Polícia Militar depois de perceber o avião em chamas. Durante buscas na região, policiais localizaram a carga de cocaína escondida em uma área de mata.
De acordo com o Ministério Público, Henrique Donizeti relatou que destruiu o equipamento de GPS da aeronave e descartou anotações contendo coordenadas da pista de pouso e informações relacionadas ao planejamento do voo. O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) informou que não havia sido comunicado sobre o pouso forçado.
A prisão ocorreu na quinta-feira (16), após policiais identificarem que o pai e a esposa do piloto haviam saído de São Paulo para buscá-lo na região. Conforme a investigação, Henrique utilizava um telefone via satélite para orientar os familiares sobre o local do encontro. O grupo havia combinado que o piloto deixaria o esconderijo após um veículo piscar os faróis três vezes. Com a informação, os policiais reproduziram o sinal combinado e efetuaram a prisão.
Durante a abordagem, as equipes apreenderam um telefone celular, um aparelho de comunicação via satélite, uma faca e R$ 5.327 em dinheiro. Os nomes dos familiares não foram divulgados pelas autoridades. Segundo o coronel Heber Souza Bastos, comandante do 5º Batalhão Rodoviário da Polícia Militar, o suspeito afirmou ter sido contratado para realizar três transportes de drogas. O voo interrompido em Itarumã seria o terceiro da sequência. Conforme o relato, a cocaína foi embarcada em uma região do Mato Grosso próxima à fronteira com a Bolívia e teria como destino a cidade de Frutal, em Minas Gerais. Pelo serviço, Henrique Donizeti receberia R$ 70 mil.