21/07/26
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) poderá entrar na disputa presidencial de 2026 com cerca de 20% menos tempo de propaganda eleitoral em rádio e televisão do que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), caso permaneça apenas com o apoio do PL. O cenário foi agravado após o caso envolvendo o filme Dark Horse, que enfraqueceu as negociações com União Brasil e PP, levando a campanha do senador a concentrar esforços para conquistar o apoio do Republicanos.
Pelas regras eleitorais, apenas candidatos apoiados por partidos que superaram a cláusula de desempenho terão acesso ao horário eleitoral gratuito. No cenário atual, somente Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante) teriam direito à propaganda em rádio e televisão. Pré-candidatos como Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) ficariam sem espaço no horário eleitoral por não contarem com legendas habilitadas.
Caso as alianças permaneçam como estão, Lula terá 5 minutos e 32 segundos em cada bloco de 12 minutos e 30 segundos do horário eleitoral, enquanto Flávio Bolsonaro contará com 4 minutos e 20 segundos. Ronaldo Caiado terá 2 minutos e 2 segundos, e Augusto Cury, 36 segundos. Se o Republicanos aderir à chapa do PL, entretanto, o cenário se inverte: Flávio passaria a dispor de 5 minutos e 16 segundos, contra 4 minutos e 51 segundos de Lula, reduzindo também o tempo destinado aos demais candidatos.
Embora as redes sociais tenham assumido papel central nas campanhas eleitorais, o horário gratuito na televisão e no rádio continua sendo considerado estratégico. A TV segue alcançando principalmente eleitores de menor renda, enquanto o rádio mantém forte presença entre o público do interior e motoristas nas grandes cidades. As inserções curtas ao longo da programação são vistas pelas campanhas como ferramentas mais eficientes para reforçar mensagens e explorar críticas aos adversários.
A definição sobre o apoio do Republicanos deve ocorrer até o início de agosto. Apesar das negociações envolvendo alianças estaduais e a possibilidade de indicar o candidato a vice-presidente na chapa do PL, o presidente nacional da legenda, Marcos Pereira, tem sinalizado preferência pela neutralidade. Dirigentes do partido afirmam que o ambiente interno mudou após a repercussão do episódio envolvendo o financiamento do filme Dark Horse, que também teria afastado o apoio de União Brasil e PP à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro.