Goiânia, 30/07/2026
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Carros elétricos pressionam mercado de seminovos em Goiás

25/07/26

O avanço dos veículos elétricos e híbridos já provoca mudanças no mercado automotivo em Goiás. Após alguns anos de expansão da tecnologia no país, os modelos eletrificados passaram a disputar espaço não apenas entre os carros novos, mas também no segmento de seminovos. O cenário tem levado montadoras a rever preços, ampliar incentivos comerciais e ajustar seus portfólios para enfrentar a concorrência.

Dados do setor mostram que, neste ano, quase 20 mil automóveis e comerciais leves foram emplacados em Goiás. Desse total, 6,6 mil correspondem a veículos elétricos ou híbridos, participação de aproximadamente 30% das vendas no estado. No Brasil, a fatia dos eletrificados representa 16% dos emplacamentos. O desempenho fez com que esses modelos superassem as vendas de veículos movidos a diesel e a gasolina em âmbito nacional. O crescimento da frota eletrificada também chegou ao mercado de usados. 

Ao jornal O Popular, o diretor comercial da Primeira Mão by Saga, Nazirã Araújo, disse que os proprietários desses veículos passaram a utilizá-los com mais frequência como parte do pagamento na compra de modelos zero-quilômetro. Segundo ele, esse movimento ganhou força ao longo deste ano. "O movimento deles, que era tímido, vem aumentando. Começou mais neste ano, com volume bem maior de elétricos ou híbridos que entram como parte de pagamento", afirma. Conforme o executivo, quem troca um modelo eletrificado costuma permanecer nesse segmento, buscando veículos mais recentes, sem retornar aos modelos movidos exclusivamente a combustão.

Na avaliação de Araújo, o comportamento do consumidor se assemelha ao mercado de smartphones, marcado pela renovação constante da tecnologia. "O caso dos carros eletrificados é muito parecido com o iPhone, que vai atualizando novas versões, como baterias com maior autonomia, que recarregam mais rápido. O cliente também tem procurado se atualizar neste mercado", diz.

Enquanto a oferta de elétricos cresce, fabricantes tradicionais promovem mudanças na política comercial para manter competitividade. A Toyota, por exemplo, passou a oferecer bônus de R$ 10 mil na troca de um veículo usado pela compra de determinados modelos, benefício que pode chegar a R$ 40 mil em algumas versões da Hilux. A Honda disponibiliza descontos de até R$ 15 mil, enquanto a Volkswagen reduziu o preço do T-Cross em cerca de R$ 10 mil. A Fiat também reposicionou o Fastback Impetus Turbo, cujo valor passou de R$ 173.490 para R$ 134.990.

A tendência é que a concorrência aumente nos próximos meses. O mercado brasileiro deverá receber cerca de 52 lançamentos de veículos em um intervalo de seis meses. Entre eles está o MG4 Urban, modelo totalmente elétrico da chinesa MG Motor, lançado por R$ 129,9 mil. A chegada de novos concorrentes tem incentivado outras fabricantes a revisar preços e estratégias comerciais.

A mudança também influencia o comportamento dos consumidores. O empresário Rodrigo Vasconcelos adquiriu o primeiro carro híbrido há dois anos e afirma que a escolha foi motivada pela economia e pelos recursos tecnológicos disponíveis. Atualmente, ele possui dois modelos da BYD, um Song Plus e um King, sendo que um deles foi comprado seminovo.

Segundo Rodrigo, a aquisição do veículo usado representou economia significativa em relação ao modelo novo. "Uso para trabalhar, passear e até viajar para São Paulo, por ser um híbrido", relatou ao jornal O Popular. Para ele, os modelos totalmente elétricos ainda exigem planejamento maior em deslocamentos de longa distância devido à oferta limitada de eletropostos.


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