09/08/26
A menos de dois meses das eleições, o governador Daniel Vilela (MDB) chega à disputa pela reeleição com uma estrutura política que reúne prefeitos, vereadores, candidatos a deputado estadual e federal e representantes do segmento evangélico. A capilaridade da base governista aparece como um dos principais ativos da campanha na disputa contra Marconi Perillo (PSDB), Wilder Morais (PL) e Luis Cesar Bueno (PT).
O cenário ganha peso diante dos números da pesquisa Quaest citada no material, na qual Daniel aparece com 37% das intenções de voto. Marconi ocupa a segunda colocação, com 21%, enquanto Wilder registra 11%. Os números indicam que o senador do PL, apesar do apoio do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, ainda enfrenta dificuldades para transformar a identificação do eleitorado goiano com a direita em votos para sua candidatura.
Parte da explicação está na presença do ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) na campanha de Daniel. Candidato à Presidência da República, Caiado construiu sua trajetória política ligado à direita e mantém influência sobre esse eleitorado em Goiás. Após deixar o governo, passou a atuar diretamente pela continuidade do grupo político que chegou ao poder estadual em 2018 e incorporou o MDB à base quatro anos depois.
Essa composição permite a Daniel disputar votos que vão do centro à direita. A pesquisa Quaest de agosto de 2025, citada na análise, apontava que 18% dos goianos se declaravam bolsonaristas e outros 26% se identificavam com a direita não bolsonarista. É justamente nesse universo que a campanha do governador concorre com Wilder e, em parte, com Marconi.
A disputa nesse campo também impõe um desafio aos dois adversários que aparecem atrás de Daniel. Para alcançar o segundo turno, Wilder precisa avançar sobre eleitores que hoje estão com Marconi, enquanto o tucano necessita preservar sua posição e ampliar sua votação. O movimento tende a colocar as duas candidaturas em confronto direto ao longo da campanha.
Prefeitos ampliam presença da campanha no interior
Além da participação de Caiado, Daniel conta com uma rede de prefeitos distribuída pelas diferentes regiões de Goiás. São gestores municipais que funcionam como interlocutores da campanha nos municípios e ajudam a levar a candidatura para além das estruturas partidárias formais.
Entre os prefeitos que apoiam Daniel estão Sandro Mabel, em Goiânia; Leandro Vilela, em Aparecida de Goiânia; Márcio Corrêa, em Anápolis; Wellington Carrijo, em Rio Verde; Diego Sorgatto, em Luziânia; Lucas Antonietti, em Águas Lindas de Goiás; Velomar Rios, em Catalão; Renato de Castro, em Goianésia; e Vanuza Valadares, em Porangatu.
O Entorno do Distrito Federal é um dos exemplos dessa presença. Conforme as informações apresentadas, os prefeitos da região estão alinhados à candidatura do emedebista. O apoio dos gestores se soma ao de vereadores e outras lideranças municipais, o que amplia a capacidade de mobilização da chapa em uma das regiões com maior concentração de eleitores do Estado.
A região também teve peso nas duas eleições vencidas por Caiado. Em 2022, o então governador registrou percentuais próximos de 80% dos votos válidos em alguns municípios do Entorno, resultado que contribuiu para sua reeleição no primeiro turno.
Candidatos proporcionais entram na mobilização
Outro braço da estrutura eleitoral está nas chapas proporcionais. Candidatos a deputado estadual e federal percorrem os municípios em busca do próprio eleitorado e, ao mesmo tempo, funcionam como pontos de apoio para os integrantes da chapa majoritária. Entre os candidatos a deputado federal ligados ao grupo de Daniel estão Bruno Peixoto (União Brasil), Célio Silveira (MDB), Daniel Agrobom (PSD), Delegado Waldir (União Brasil), Fátima Gavioli (PSD), Flávia Morais (MDB), Glaustin Fokus (Podemos), Ismael Alexandrino (PSD), José Nelto (União Brasil), Lêda Borges (Republicanos), Lucas Calil (PRD), Lucas do Vale (PSD), Magda Mofatto, Marussa Boldrin (Republicanos), Pedro Sales (PSD), Ricardo Quirino (Republicanos) e Silvye Alves (União Brasil).
A presença desses candidatos amplia o alcance territorial da campanha, principalmente no interior. Diferentemente de uma estrutura concentrada apenas nos integrantes da chapa majoritária, as candidaturas proporcionais mantêm agendas próprias e buscam votos em municípios e segmentos distintos do eleitorado. O mesmo movimento ocorre na disputa ao Senado. Parte dessas lideranças trabalha também pelas candidaturas apoiadas pela base, entre elas a de Gracinha Caiado (União Brasil), uma das representantes da coligação governista na corrida pelas duas vagas disponíveis neste ano.
Apoio evangélico entra na estratégia
A campanha de Daniel também busca espaço entre os evangélicos, segmento no qual Wilder poderia ter vantagem por integrar o partido associado ao bolsonarismo. A escolha do ex-senador Luiz do Carmo (PSD) como candidato a vice-governador ampliou a ligação da chapa governista com lideranças religiosas. Luiz do Carmo é irmão do bispo Oídes José do Carmo, da Assembleia de Deus Ministério Madureira, e do prefeito de Bela Vista de Goiás, Eurípedes do Carmo. O bispo mantém atuação no meio evangélico goiano e aparece entre as lideranças que apoiam a chapa governista.
Segundo levantamento feito pelo Jornal Opção junto a religiosos, também estão entre os apoiadores nomes como Abnair Vargas, Bertiê Magalhães, Cleoncio Sathler Garcia, João Queiroz, Jônathas Silveira, José Carlindo, José Clarimundo César, Josué Gouveia e Romeu Ivo, ligados a diferentes denominações. O peso desse segmento ultrapassa a manifestação individual das lideranças. Além da presença religiosa, as igrejas mantêm atuação comunitária nos municípios, o que cria redes de relacionamento capazes de alcançar parcelas do eleitorado fora das estruturas partidárias tradicionais.
Com Caiado como principal liderança política do grupo e uma base formada por prefeitos, vereadores, candidatos proporcionais e representantes religiosos, Daniel entra na campanha com uma estrutura espalhada pelo Estado. O desafio dos adversários será reduzir essa vantagem territorial durante a campanha e transformar suas próprias bases políticas em votos suficientes para levar a eleição ao segundo turno.