11/08/26
Anunciado candidato a uma das vagas ao Senado na chapa majoritária do ex-governador Marconi Perillo (PSDB), o ex-deputado Ernesto Roller (PSDB) já foi processado e condenado em ação de indenização movida pelo próprio tucano. Em meio a um discurso, Roller chamou Marconi de “ladrão, safado e cachorro”.
O episódio remonta a abril de 2014, quando Marconi era governador de Goiás. De acordo com a sentença da 7ª Vara Cível de Goiânia, o tucano acionou a Justiça após um comício realizado em Formosa, base eleitoral de Ernesto Roller, sustentando que ex-deputado havia atingido sua imagem e sua honra com declarações consideradas caluniosas, difamatórias e injuriosas.
A gravação reproduzida na decisão não deixa dúvidas sobre o grau de hostilidade política daquele momento. A Justiça entendeu que o então adversário ultrapassou os limites da crítica política. Para o magistrado, Roller não se restringiu a questionar o governo ou a gestão pública, mas atingiu diretamente a honra e a imagem pessoal de Marconi.
A defesa alegou, entre outros pontos, que as provas apresentadas teriam sido adulteradas e argumentou que as manifestações ocorreram no contexto do embate eleitoral. Os argumentos não prosperaram. A sentença registrou que testemunhas confirmaram as ofensas e sua repercussão nas redes sociais e que Roller não comprovou a alegada adulteração das provas.
Em maio de 2018, o juiz Ricardo Teixeira Lemos julgou procedente a ação e condenou Roller a pagar R$ 100 mil por danos morais. O valor foi submetido à correção pelo INPC-IBGE a partir do arbitramento e a juros de 1% ao mês desde o episódio de 2014, além de custas e honorários advocatícios de 20% sobre a condenação. Em junho deste ano, o juiz autorizou a avaliação indireta de imóvel penhorado pertencente a Roller.
Doze anos depois do comício em Formosa, o cenário mudou. Ex-deputado de oposição e ex-secretário na gestão de Ronaldo Caiado (PSD), Roller filiou-se ao PSDB no fim de março e confirmou ao Portal Mais Goiás que aceitou convite do próprio Marconi para disputar o Senado. Ao comentar a reconciliação, afirmou que ambos tiveram embates políticos, “mas nunca de ordem pessoal”.