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Ação pede cassação da candidatura e inelegibilidade de Delegado Waldir

12/08/26

O candidato a deputado federal Delegado Waldir (União Brasil), mais conhecido como Delegado Waldir, é alvo de uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) que pede à Justiça Eleitoral a apuração de suposto abuso de poder político e uso eleitoral da máquina pública durante o período em que comandou o Departamento Estadual de Trânsito de Goiás (Detran-GO). Confira a íntegra: https://drive.google.com/file/d/1zVEB3Le1eDOsPrpscgTgcYUgFQs_yHLY/view?usp=drive_link

A ação foi apresentada pela candidata a deputada estadual Arianne Candido Medeiros Ungarelli e tem como base uma gravação atribuída ao Delegado Waldir, na qual ele teria cobrado de uma servidora do Detran prioridade e facilitação na análise de processos de credenciamento de instrutores autônomos.

A representação sustenta que aproximadamente 7 mil pessoas teriam sido associadas pelo próprio Waldir à sua base de apoio político. A ação afirma que há indícios de utilização da autoridade exercida na presidência do Detran para interferir nos processos administrativos desse grupo.

O documento cita uma gravação divulgada por sites de notícias e nas redes sociais em 9 de agosto. Segundo a ação, o diálogo seria entre Delegado Waldir e uma servidora do Detran e envolveria a liberação dos credenciamentos de instrutores autônomos.

Em um dos trechos reproduzidos na representação, Waldir teria questionado se a servidora estava trabalhando para o deputado estadual Charles Bento ou para ele próprio. Na sequência, afirma que os credenciamentos seriam prioridade e menciona um grupo de 7 mil pessoas que estaria com Delegado Waldir.

A gravação também registra uma determinação atribuída ao ex-presidente do Detran para que os credenciamentos fossem liberados. A ação sustenta ainda que Waldir teria se comprometido a encaminhar protocolos específicos para análise.

Para os autores da AIJE, o conteúdo indicaria que eventuais dificuldades administrativas enfrentadas pelos instrutores eram tratadas por Waldir também sob uma perspectiva política. O documento aponta que ele teria determinado a liberação dos processos e informado que já havia orientado diretores e gerentes do Detran a facilitar os procedimentos.

Uso político do Detran

A tese central da ação é de que o Delegado Waldir poderia ter utilizado sua posição de presidente do Detran para beneficiar um grupo identificado como parte de sua base política.

A representação argumenta que abuso de poder político pode ocorrer quando um agente público utiliza a condição funcional ou a estrutura administrativa para favorecer uma candidatura ou projeto eleitoral. No caso de Waldir, os autores sustentam que a possível irregularidade estaria justamente na utilização da autoridade administrativa em benefício de pessoas apresentadas como integrantes de sua base política.

O documento ressalva, entretanto, que as reportagens e a gravação não são apresentadas como prova definitiva. Segundo a própria ação, o material constitui elemento inicial para justificar a investigação e a obtenção de provas independentes, incluindo informações sobre os processos, servidores envolvidos, protocolos e decisões administrativas.

O ponto de maior impacto político está nos pedidos apresentados à Justiça Eleitoral. Além da abertura da investigação, a candidata pede uma medida liminar para determinar a preservação e apresentação do arquivo original da gravação, metadados e documentos do Detran, incluindo protocolos e registros dos sistemas internos.

Ao final do processo, caso seja comprovado o abuso de poder político, a ação requer a cassação do registro de candidatura ou do diploma de Delegado Waldir e a declaração de sua inelegibilidade.

Também é solicitada a remessa dos autos ao Ministério Público Eleitoral e a outros órgãos competentes para eventual apuração de responsabilidades nas esferas penal, administrativa e disciplinar.

A ação sustenta que a dimensão do caso deve ser investigada a partir dos dados do próprio Detran, incluindo a relação dos pedidos de credenciamento, movimentações processuais, decisões tomadas e pessoas eventualmente beneficiadas. Segundo a representação, se confirmados, os fatos poderiam ter alcance suficiente para afetar a igualdade entre os candidatos e a legitimidade das eleições de 2026.

Delegado Waldir presidiu o Detran-GO entre março de 2023 e abril de 2026. Após deixar a autarquia, foi nomeado assessor especial da Secretaria de Estado da Administração (Sead), cargo do qual foi exonerado em julho para disputar as eleições.

Agora candidato a deputado federal pelo União Brasil, Waldir terá de enfrentar, além da disputa eleitoral, o questionamento judicial sobre sua atuação à frente do órgão.

A apresentação da AIJE, por si só, não significa condenação nem comprovação das acusações. Caberá à Justiça Eleitoral decidir sobre o processamento da ação, produção das provas e, posteriormente, sobre a existência ou não de abuso de poder político.


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