Goiânia, 21/08/2026
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Modo ‘desespero': Marconi sofre duas derrotas judiciais em três dias

20/08/26

A campanha de Marconi Perillo (PSDB) parece ter entrado no modo “desespero”. Em apenas três dias, duas estratégias ilegais que buscavam favorecer eleitoralmente o tucano foram barradas pelo Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO): o impulsionamento pago de ataques contra o governador e candidato à reeleição Daniel Vilela (MDB) e a divulgação de uma pesquisa cercada de questionamentos metodológicos que, na contramão de outros levantamentos recentes, colocava Marconi na liderança da disputa pelo governo do Estado.

O primeiro revés ocorreu na segunda-feira (17). A desembargadora eleitoral Aline Vieira Tomás determinou que a campanha de Marconi interrompesse o impulsionamento pago de duas publicações contra Daniel. Em análise preliminar, o TRE-GO considerou que os conteúdos tinham natureza “predominantemente negativa” e estavam sendo ampliados mediante pagamento, prática vedada pela legislação eleitoral quando utilizada para potencializar propaganda negativa contra adversários.

A decisão expõe uma estratégia que ultrapassou, na avaliação preliminar da Justiça, os limites impostos às campanhas na internet. A legislação permite que candidatos paguem para ampliar conteúdos destinados a promover suas próprias candidaturas, mas não autoriza o uso do impulsionamento para aumentar artificialmente o alcance de ataques contra adversários. Além de determinar a interrupção da publicidade paga, o TRE-GO estabeleceu multa de R$ 5 mil por anúncio que permanecesse impulsionado depois do prazo fixado.

Dois dias depois, veio outro episódio. Desta vez, envolvendo uma pesquisa eleitoral que favorecia diretamente Marconi. O TRE-GO havia determinado, na terça-feira (18), que a Exata GO e a GMV Mídia Externa não divulgassem os resultados da pesquisa GO-03844/2026 até o julgamento da representação. Mesmo assim, os números acabaram publicados na quarta-feira (19), contrariando a determinação judicial dirigida às empresas responsáveis pelo levantamento.

A pesquisa chama atenção não apenas pelas circunstâncias de sua divulgação. O levantamento apresentava Marconi com 36,78% das intenções de voto e Daniel com 27,75%, resultado diferente de pesquisas recentes de outros institutos que apontavam o emedebista na liderança. Justamente o levantamento que oferecia ao tucano uma narrativa eleitoral mais favorável acabou suspenso pelo TRE-GO diante das inconsistências apontadas na representação. O conteúdo foi divulgado inicialmente pelo site Poder 360, que assim que foi comunicado da decisão judicial, apagou o conteúdo.

Entre os problemas identificados em análise preliminar estava algo incomum: o questionário registrado para a eleição de Goiás continha pergunta sobre a disputa pelo Governo do Amapá. Também foram levantadas dúvidas sobre aspectos metodológicos e sobre a forma como os candidatos eram apresentados aos entrevistados. A relatora apontou indícios de nomes posicionados de maneira estática no topo da lista, situação que poderia produzir “viés cognitivo de primazia” e comprometer a neutralidade e a fidedignidade metodológica do levantamento.

É nesse contexto que a campanha de Marconi dá sinais de entrar no modo “desespero”. Em vez de conseguir impor uma agenda positiva em torno da própria candidatura, o tucano passa a conviver com decisões judiciais que atingem estratégias capazes de desgastar o adversário ou melhorar sua própria posição na disputa. Ataques impulsionados mediante pagamento foram interrompidos e uma pesquisa sob questionamento teve sua divulgação suspensa. Politicamente, o recado é incômodo para Marconi: na tentativa de ganhar terreno na disputa pelo Palácio das Esmeraldas, estratégias favoráveis à sua candidatura já começam a acumular derrotas no TRE-GO.


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