30/08/26
A decisão do presidente estadual do PL, Wilder Morais, de levar adiante um processo que pode resultar na expulsão do prefeito de Anápolis, Márcio Corrêa, abriu uma nova frente de conflito dentro do partido em plena campanha eleitoral. Ao transformar a divergência sobre o apoio ao Governo de Goiás em uma disputa partidária, o candidato ao Palácio das Esmeraldas corre o risco de perder espaço político em vez de ampliar sua base. O embate envolve o prefeito da terceira maior cidade de Goiás, que aparece entre os gestores municipais com maiores índices de aprovação.
Corrêa ocupa a primeira posição no Estado e a terceira no país em levantamento sobre avaliação de prefeitos. A possibilidade de afastamento de um quadro com esse peso eleitoral coloca em discussão o custo da estratégia adotada pela direção estadual do PL. O processo tem como pano de fundo a decisão de Márcio Corrêa de apoiar a reeleição do governador Daniel Vilela (MDB), adversário de Wilder na disputa estadual. O prefeito, no entanto, não rompeu politicamente com o PL e mantém apoio a Gustavo Gayer para o Senado e ao Major Vitor Hugo para a Câmara dos Deputados.
Corrêa sustenta que sua escolha por Daniel está relacionada ao apoio recebido durante a eleição municipal de 2024. Segundo o prefeito, Wilder tentou impedir sua filiação ao PL naquele período, enquanto o grupo político que hoje comanda o governo estadual participou de sua construção eleitoral em Anápolis. Diante da possibilidade de ser punido por infidelidade partidária, o prefeito passou a questionar publicamente a própria conduta política de Wilder. O argumento apresentado é que, se o apoio a um candidato de outra legenda serve como justificativa para um processo disciplinar, posições adotadas pelo presidente estadual do partido também deveriam ser analisadas sob os mesmos critérios.
Entre os episódios citados por Corrêa está a ausência de Wilder na votação que rejeitou a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF). O prefeito também aponta votações do senador que coincidiram com posições defendidas pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Márcio Corrêa ainda recuperou a articulação política ocorrida durante o processo de indicação de Alexandre de Moraes ao STF. Segundo ele, um dos encontros relacionados à construção do nome do atual ministro teria ocorrido em um barco de Wilder no Lago Paranoá, em Brasília. A reação do prefeito muda o eixo do processo partidário. Uma medida que poderia servir para reafirmar a autoridade da direção estadual passou a expor divergências internas e colocou o próprio presidente do PL no centro dos questionamentos feitos por um integrante da legenda.
O conflito também surge em um momento no qual Wilder tenta consolidar sua candidatura ao Governo de Goiás. A abertura de uma disputa pública com um prefeito do próprio partido acrescenta outro problema à estratégia eleitoral e permite que adversários explorem as divisões existentes na legenda. A permanência dos apoios de Corrêa a Gayer e Major Vitor Hugo torna a situação ainda mais complexa. O prefeito diferencia sua escolha para governador das demais candidaturas do PL e mantém vínculos eleitorais com nomes da sigla, apesar da disputa aberta com Wilder.