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“Sabor preguiça”: Márcio Corrêa eleva o tom e manda Wilder “ir trabalhar”

07/09/26

O prefeito de Anápolis, Márcio Corrêa (PL), elevou o tom contra o senador e candidato ao Governo de Goiás Wilder Morais (PL) ao rebater a declaração do correligionário de que seria um político “sabor direita”. Em vídeo publicado nas redes sociais, Márcio devolveu a provocação com uma sequência de referências: “sabor Cachoeira”, “sabor Moraes”, “sabor Messias”, “sabor rabo preso” e “sabor preguiça”. “O seu sabor, senador, é sabor amargo da derrota, por essas atitudes”, afirmou, após Wilder criticá-lo durante sabatina ao portal Mais Goiás.

Ao usar a expressão “sabor Cachoeira”, Márcio resgatou a relação de Wilder com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Em gravações da Polícia Federal reveladas durante a Operação Monte Carlo, Cachoeira atribuiu a si participação na ascensão política do atual senador. “Fui eu que te pus na suplência, essa secretaria, fui eu. Você sabe muito bem disso”, afirmou em uma das conversas. Wilder respondeu: “Pensa um cara que nunca teria, enfim, encontrado um governo, que nunca teria sido ‘merda’ nenhuma, cara. Você tá falando com esse cara”. Em 2012, Wilder assumiu no Senado a vaga aberta após a cassação de Demóstenes Torres.

Márcio também explorou episódios relacionados às indicações de ministros para o Supremo Tribunal Federal (STF). A expressão “sabor Messias” faz referência à ausência de Wilder, em 29 de abril, na votação que rejeitou a indicação de Jorge Messias, escolhido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para o Supremo. O registro do Senado apontou o senador goiano como ausente, embora ele tenha divulgado posteriormente um vídeo comemorando a rejeição. Já em 2017, Wilder participou da articulação pela aprovação de Alexandre de Moraes ao STF e promoveu, em sua embarcação no Lago Paranoá, um jantar entre o então indicado e senadores que analisariam seu nome.

Na parte mais dura do vídeo, Márcio acusou Wilder de dedicar tempo a ataques pessoais em vez de apresentar propostas e o mandou trabalhar. “O senhor tinha de gastar esse tempo para apresentar propostas e projetos consistentes que resolvam a vida do cidadão”, disse. Em seguida, provocou: “Não vai pôr botina só no dia do debate, não, e ficar usando sapatinho caro no ar-condicionado. Vai pôr botina, trabalhar, dialogar com a população”. O prefeito ainda classificou a candidatura do senador como um “projeto falido” e um “barco que está afundando”. “Todo dia é um desembarcando por causa dessas atitudes imaturas”, declarou.

A troca de ataques ocorre em meio à crise interna do PL provocada pela decisão de Márcio Corrêa de apoiar a reeleição do governador Daniel Vilela (MDB), anunciada em 22 de agosto. Principal prefeito do PL em Goiás e gestor de Anápolis, terceiro maior colégio eleitoral do Estado, Márcio passou a responder a processo ético-disciplinar dentro da legenda. Apesar do rompimento com a candidatura de Wilder, afirma manter apoio a nomes identificados com a direita, como Flávio Bolsonaro, Gustavo Gayer e Major Vitor Hugo. “Enquanto eu fico trabalhando aqui pela população e, fora do horário, apoiando os candidatos verdadeiramente de direita, vai honrar esse partido”, provocou.


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