Goiânia, 14/10/2026
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Cremego se manifesta sobre prisão de médico suspeito de abusar de pacientes em Goiás

10/10/26

O Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) se manifestou após a prisão preventiva de um médico ginecologista suspeito de cometer crimes sexuais contra pacientes durante consultas em Porangatu, no norte do Estado. Carlos Umberto Inácio Novais, de 71 anos, foi detido pela Polícia Civil na quinta-feira (8/10). Segundo as informações divulgadas, a investigação envolve relatos de aproximadamente 15 mulheres, das quais três já prestaram depoimento.

Em resposta ao Jornal Opção, o Cremego informou que denúncias relacionadas à conduta profissional de médicos são submetidas à apuração conforme as regras do Código de Processo Ético-Profissional Médico. A instituição ressaltou que os procedimentos tramitam sob sigilo e que também solicita esclarecimentos ao responsável técnico pela unidade de saúde mencionada nas denúncias.

A prisão ocorreu após o encaminhamento de informações sobre os supostos abusos ao Ministério Público de Goiás (MPGO). Com base nos elementos reunidos durante a investigação, foi solicitada à Justiça a prisão preventiva do profissional, posteriormente cumprida pela Polícia Civil. De acordo com a apuração policial, os relatos envolvem suspeitas de violência sexual durante atendimentos médicos. A investigação busca esclarecer as circunstâncias dos episódios, identificar possíveis vítimas e reunir provas para determinar a responsabilidade do investigado.

Além do mandado de prisão, os policiais cumpriram ordens de busca e apreensão em endereços ligados ao médico. As diligências incluíram a residência do investigado, um consultório e uma propriedade rural localizada em Porangatu. Durante as buscas, foram apreendidas seis armas de fogo e munições. Entre os armamentos estavam revólveres e armas longas. A Polícia Civil também deverá verificar a regularidade da posse dos equipamentos, o que poderá resultar em outras responsabilizações, conforme o andamento da investigação.

Carlos Umberto atuava como ginecologista em consultório particular e também havia prestado serviços na rede municipal de saúde de Porangatu, inclusive em atendimentos relacionados ao acompanhamento pré-natal. Além disso, integra o quadro de médicos legistas da Polícia Científica de Goiás.

Polícia Científica determina apuração
Em nota, a Polícia Científica de Goiás informou que encaminhou as denúncias para análise da Corregedoria de Polícia assim que tomou conhecimento dos fatos. A instituição explicou que o procedimento administrativo ocorre paralelamente à investigação criminal conduzida pela Polícia Civil. “A PCIGO se solidariza com todas as mulheres que relataram possíveis situações de abuso e reafirma seu repúdio a qualquer forma de violência contra a mulher; e reitera seu compromisso com a mais completa apuração dos fatos, tanto no âmbito criminal, quanto no âmbito administrativo disciplinar”, declarou o órgão.

A Secretaria Municipal de Saúde de Porangatu também informou que determinou o afastamento temporário do profissional após tomar conhecimento das denúncias. A pasta instaurou um procedimento administrativo disciplinar para apurar os fatos e avaliar as medidas cabíveis.

Defesa
A defesa de Carlos Umberto informou ao Jornal Opção que ainda não havia recebido acesso à íntegra dos autos do processo e que aguardava o conhecimento dos elementos utilizados para fundamentar a prisão preventiva. Os advogados afirmaram confiar que, ao longo do processo, conseguirão demonstrar a inocência do médico. A manifestação também mencionou a trajetória profissional do investigado e os serviços prestados por ele à população de Porangatu e da região.

A prisão preventiva não representa condenação. As suspeitas permanecem sob investigação, e a eventual responsabilização criminal dependerá da apuração dos fatos e das decisões judiciais. A Polícia Civil continua a coleta de depoimentos e a análise das informações relacionadas às denúncias. Paralelamente, o Cremego, a Polícia Científica e a Secretaria Municipal de Saúde poderão adotar medidas dentro de suas respectivas competências, conforme os resultados dos procedimentos administrativos.


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