11/10/26
O ex-governador Marconi Perillo (PSDB) encerrou as eleições de 2026 com a terceira derrota consecutiva em disputas majoritárias em Goiás. Após perder duas eleições para o Senado, em 2018 e 2022, o tucano voltou às urnas neste ano como candidato ao governo estadual, mas terminou em quarto lugar, com 8,69% dos votos válidos. O resultado, equivalente a pouco mais de 315 mil votos, reforça as dificuldades enfrentadas pelo político para recuperar o espaço que ocupou durante seus quatro mandatos à frente do Executivo goiano.
A votação também representa uma redução em relação ao desempenho registrado em 2022, quando Marconi disputou uma cadeira no Senado. Na comparação entre os dois pleitos, o ex-governador recebeu praticamente a metade dos votos conquistados há quatro anos. A diferença evidencia a perda de apoio eleitoral de uma liderança que, durante duas décadas, esteve entre os principais nomes da política estadual.
Na disputa de 4 de outubro, Marconi ficou atrás de Luís César Bueno (PT), que recebeu 9,82% dos votos válidos e terminou na terceira colocação. O resultado também confirmou a distância entre o tucano e o governador Daniel Vilela (MDB), reeleito no primeiro turno, além de Wilder Morais (PL), segundo colocado na corrida pelo Palácio das Esmeraldas.
Em análise publicada no site O Opinando, o jornalista Cloves Reges Maia avalia que a derrota representa mais do que a perda de uma eleição. Segundo ele, o desempenho do ex-governador expõe a dificuldade do PSDB de recuperar sua presença no cenário político goiano e coloca em discussão a capacidade de Marconi de construir uma candidatura competitiva em futuras disputas.
Três eleições sem vitória desde 2018
A sequência de derrotas começou em 2018, quando Marconi deixou o governo estadual para disputar uma vaga no Senado. Na ocasião, não conseguiu se eleger e viu o PSDB perder o comando do Executivo para Ronaldo Caiado, então filiado ao DEM. Quatro anos depois, em 2022, o tucano voltou a concorrer ao Senado, mas novamente ficou fora das vagas em disputa. A tentativa de retornar à vida parlamentar não produziu o resultado esperado, apesar da experiência acumulada como governador e da projeção de seu nome no estado.
Em 2026, Marconi decidiu disputar novamente o governo de Goiás. A candidatura representava uma oportunidade de recuperar a posição que ocupou entre 1999 e 2006 e, posteriormente, de 2011 a 2018. Entretanto, a votação obtida demonstrou que o reconhecimento de sua trajetória administrativa não foi suficiente para ampliar o apoio entre os eleitores.
A análise de O Opinando aponta que o ex-governador entrou na disputa sem a mesma estrutura partidária e política que sustentou suas campanhas anteriores. Ao longo dos últimos anos, o PSDB perdeu parte de sua representação no estado, enquanto outras forças passaram a ocupar espaços antes vinculados ao partido. Nesse cenário, a candidatura de Marconi se apoiou principalmente na lembrança de seus quatro mandatos e na tentativa de recuperar a relação com o eleitorado que acompanhou suas administrações.
Passado político já não garante votos
O resultado das urnas também levanta questionamentos sobre a estratégia de campanha adotada pelo ex-governador. A associação de sua imagem às gestões anteriores permaneceu como um dos principais elementos de sua atuação política, mas não conseguiu reverter a redução de apoio registrada desde 2018. Para Cloves Reges Maia, a trajetória de Marconi representa, ao mesmo tempo, um fator de reconhecimento e um obstáculo à recuperação de sua força eleitoral. Embora os quatro mandatos mantenham seu nome presente no debate político, o período também está associado a críticas e a índices de rejeição que dificultam a conquista de novos eleitores.
A análise considera que o ex-governador ainda possui uma parcela de apoiadores, mas enfrenta limitações para ampliar esse grupo e alcançar o desempenho necessário em uma eleição majoritária. O resultado de 2026 reforça essa avaliação. Mesmo após oito anos fora do comando do governo estadual, Marconi não conseguiu transformar o período de oposição em uma alternativa capaz de disputar as primeiras posições na eleição.
Além da redução de votos, a quarta colocação representa uma mudança na posição ocupada pelo tucano dentro da política goiana. O ex-governador, que anteriormente liderava alianças e disputas eleitorais, passou a enfrentar dificuldades para reunir apoio suficiente até mesmo para superar candidatos de outras legendas de oposição.
Futuro político
A terceira derrota consecutiva também coloca em discussão os próximos passos de Marconi Perillo. Aos 63 anos, o ex-governador permanece como uma das principais referências do PSDB em Goiás, mas o resultado das eleições amplia as dúvidas sobre sua capacidade de voltar a conquistar um mandato. A história política do estado registra casos de lideranças que recuperaram espaço após derrotas eleitorais. Iris Rezende, por exemplo, encontrou na Prefeitura de Goiânia uma alternativa para retomar sua atuação política. Maguito Vilela também construiu uma nova etapa de sua trajetória ao conquistar a Prefeitura de Aparecida de Goiânia.
No caso de Marconi, entretanto, uma eventual recuperação dependerá da capacidade de reorganizar suas bases de apoio, ampliar as alianças e apresentar propostas que ultrapassem a referência às administrações anteriores. O desafio também envolve o próprio PSDB, que perdeu espaço na composição das forças políticas de Goiás. A reconstrução da estrutura partidária poderá influenciar as possibilidades de participação do ex-governador em futuras eleições.