30/10/26
A Embaixada dos Estados Unidos em Brasília classificou como “definitiva” e “surpreendente” a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais. A avaliação consta de um relatório diplomático encaminhado ao Departamento de Estado americano na segunda-feira (26/10), um dia após a votação. O documento contrasta com as declarações do presidente Donald Trump, que questionou o resultado eleitoral brasileiro sem apresentar provas de fraude.
Segundo informações divulgadas pela Folha de S.Paulo nesta sexta-feira (30/10), a representação diplomática americana concluiu que a eleição ocorreu de maneira predominantemente pacífica e que os problemas registrados durante a votação não comprometeram o resultado. Lula venceu Flávio Bolsonaro por uma diferença de aproximadamente 4,4 milhões de votos.
O relatório também analisou a decisão de ampliar o horário de votação em duas horas, principal argumento utilizado por Flávio Bolsonaro para contestar a derrota. De acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), apenas 34 mil votos foram registrados após as 17h, o equivalente a aproximadamente 0,03% do total. A quantidade é insuficiente para alterar o resultado da disputa.
A Embaixada destacou ainda que observadores internacionais não identificaram irregularidades capazes de colocar em dúvida a eleição. A Organização dos Estados Americanos (OEA) apontou falhas de comunicação na prorrogação do horário, mas considerou o processo organizado e afirmou não ter dúvidas sobre o resultado anunciado.
A avaliação diplomática contrasta com a postura de Donald Trump, que voltou a criticar a eleição brasileira nesta quinta-feira (29/10), classificando o processo como uma “vergonha”. Apesar da conclusão apresentada pela Embaixada em relatório interno, o governo americano ainda não havia reconhecido formalmente a vitória de Lula até quinta-feira. Trump afirmou que pretende conversar com o presidente brasileiro, mas evitou responder se o considera vencedor legítimo da disputa.